terça-feira, 21 de junho de 2011

CAVACO VAI HOJE EMPOSSAR UM MINISTRO ALDRABÃO, PELO MENOS




“NOVO” GOVERNO EM PORTUGAL – CARAS “NOVAS” MAS A PANDILHA É A MESMA
 
É costume desejar felicidades por algo ou alguém que começa de novo. Em Portugal o governo saído das eleições de 05 de Junho toma hoje posse. Para que não se verifiquem desmaios, como já tem acontecido em outras posses de governo no tradicional Palácio da Ajuda, foram instalados montanhas de aparelhos de ar condicionado. Há pouco alguém disse que aquilo mais parece o Pólo Norte. Mas assim é bom, para que Cavaco não desmaie ao dar posse a “novas” caras da mesma pandilha. Principalmente que não desmaie por dar posse a um comprovado ministro aldrabão, Paulo Portas.
 
É isso mesmo que nos recorda o general Pezarat Correia em artigo que foi censurado pelo Diário de Notícia mas que afinal acaba por vir a ser conhecido de muitos mais portugueses através deste veículo a que chamam internete, que não se compadece com os interesses censórios instalados naquele jornal e nos vários canais de informação da Controlinveste, proprietária de imensa comunicação social censurada e sensaborona.
 
Para Cavaco Silva tanto faz ministro aldrabão como não. Na maior das canduras ele nem vai desmaiar graças ao Pólo Norte no Palácio e até vai tecer os desejos das maiores venturas àqueles que nos vão proporcionar fome e porrada. Mais ministro aldrabão, menos ministro aldrabão, para Cavaco tanto faz. Cumpre-se o sonho: Um presidente, um governo, uma maioria parlamentar. É isso que importa ao presidente Cavaco. Ele também não conseguiu esclarecer os portugueses sobre o seu envolvimento ou não nas falcatruas bancárias, nem da SISA que devia ter pago mas não pagou por investimento numa casa na Coelha, no Algarve, como se percebeu pelo divulgado até por ele próprio, que para se “limpar” se “sujou mais”. Foi mais ou menos essa a expressão usada por comentadores num programa da TSF – Governo Sombra?

Seja como for, que ninguém estranhe por um comprovado aldrabão ser hoje empossado ministro. Tanta vez que isso tem acontecido! Algumas caras podem ser novas mas a pandilha continua a ser a mesma. Fica a prosa de Pezarat Correia, que nunca será demais repescar, para que não esqueçamos a censura e o descaramento dos que se apoderam dos poderes para se servirem.

PAULO PORTAS MINISTRO?

Ana Gomes provocou uma tempestade mediática com as suas declarações sobre Paulo Portas. Considero muito Ana Gomes, uma mulher de causas, frontal, corajosa, diplomata com muito relevantes serviços prestados a Portugal e à Humanidade. Confesso que me escapa alguma da sua argumentação contra Paulo Portas e não alcanço a invocação do exemplo de Strauss-Kahn. Mas estou com ela na sua conclusão: Paulo Portas não deve ser ministro na República Portuguesa. Partilho inteiramente a conclusão ainda que através de diferentes premissas.

Paulo Portas, enquanto ministro da Defesa Nacional de anterior governo, mentiu deliberadamente aos portugueses sobre a existência de armas de destruição maciça no Iraque, que serviram de pretexto para a guerra de agressão anglo-americana desencadeada em 2003. Sublinho o deliberadamente porque, não há muito tempo, num frente-a-frente televisivo, salvo erro na SICNotícias, a deputada do CDS Teresa Caeiro mostrou-se muito ofendida por Alfredo Barroso se ter referido a este caso exactamente nesses termos. A verdade é que Paulo Portas, regressado de uma visita de Estado aos EUA, declarou à comunicação social que “vira provas insofismáveis da existência de armas de destruição maciça no Iraque” (cito de cor mas as palavras foram muito aproximadamente estas). Ele não afirmou que lhe tinham dito que essas provas existiam. Não. Garantiu que vira as provas. Ora, como as armas não existiam logo as provas também não, Portas mentiu deliberadamente. E mentiu com dolo, visto que a mentira visava justificar o envolvimento de Portugal naquela guerra perversa e que se traduziu num desastre estratégico. A tese de que afinal Portas foi enganado não colhe. É a segunda mentira. Portas não foi enganado, enganou. Um político que usa assim, fraudulentamente, o seu cargo de Estado, não deve voltar a ser ministro. Mas já não é a primeira vez que esgrimo argumentos pelo seu impedimento para funções ministeriais. Em 12 de Abril de 2002 publiquei um artigo no Diário de Notícias em que denunciava o insulto de Paulo Portas à Instituição Militar, quando classificou a morte em combate de Jonas Savimbi como um “assassinato”. Note-se que a UNITA assumiu claramente – e como tal fazendo o elogio do seu líder –, a sua morte em combate. Portas viria pouco depois dessas declarações a ser nomeado ministro e, por isso, escrevi naquele texto: «O que se estranha, porque é grave, é que o autor de tal disparate tenha sido, posteriormente, nomeado ministro da Defesa Nacional, que tutela as Forças Armadas. Para o actual ministro da Defesa Nacional, baixas em combate, de elementos combatentes, particularmente de chefes destacados, fardados e militarmente enquadrados, num cenário e teatro de guerra, em confronto com militares inimigos, também fardados e enquadrados, constituem assassinatos. Os militares portugueses sabem que, hoje, se forem enviados para cenários de guerra […] onde eventualmente se empenhem em acções que provoquem baixas, podem vir a ser considerados, pelo ministro de que dependem, como tendo participado em assassinatos. Os militares portugueses sabem que hoje, o ministro da tutela, considera as Forças Armadas uma instituição de assassinos potenciais». Mantenho integralmente o que então escrevi.

Um homem que, com tanta leviandade, mente e aborda assuntos fundamentais de Estado, carece de dimensão ética para ser ministro da República. Lamentavelmente já o foi uma vez. Se voltar a sê-lo, como cidadão sentir-me-ei ofendido. Como militar participante no 25 de Abril, acto fundador do regime democrático vigente, sentir-me-ei traído.

Junho de 2011-06-13

PEDRO DE PEZARAT CORREIA

*original em PÁGINA GLOBAL

sábado, 18 de junho de 2011

A VIOLÊNCIA DEMOCRÁTICA DO SISTEMA POLÍTICO GLOBAL VISTA EM ESPANHA




CÃES DE VISEIRA QUE MALHAM NO POVO INDEFESO
DE ARMAS E BASTÃO EM PUNHO AGRIDEM TRABALHADORES
QUE NOS ACOSSAM E NOS MORDEM APESAR DO DESPREZO
TRAIDORES SABUJOS DE POVOS DE MIL RAÇAS E MIL DORES  


Cães de viseira sem nacionalidade. Estes estão em Espanha mas são mercenários em qualquer outra parte do mundo. Perante as imagens vimos como agem os defensores do sistema caduco e corrupto europeu e para que servem aqueles subhumanos equipados pra reprimirem os que contribuiram para as suas fardas, pra o seu armamento, para eles e para as suas famílias sem equacionarem que afinal também são vítimas do sistema repressivo que servem com toda a dedicação e vilania. É assim em Espanha, na Grécia, assim será em Portugal, por todo o mundo. Democracia? Mas que democracia?

quarta-feira, 15 de junho de 2011

600 MIL EUROS PARA 5 DEPUTADOS “DESEMPREGADOS”... E VÊM LÁ MAIS!




É FARTAR VILANAGEM!

A notícia passou de raspão pelos tímpanos de uns quantos que ouviram a TSF ontem ou anteontem. Foi um ar que lhe deu mas sempre se percebeu que cinco deputados vão receber cerca de 600 mil euros de indemnização por saírem do parlamento sem que tenham cumprido 12 anos de “trabalho” e por isso não terem direito à repimpada reforma, independentemente da idade e de terem ou não terem mais que bens ao luar, negócios e outros. Uma fartura, esta coisa de se ser deputado a viver em grande à custa da miséria de imensos.

Conclui-se que destes 5 cada ex-deputado, decerto a saírem por não terem sido eleitos ou por oção, vai receber de “compensação” mais de 100 mil euros… por não reunirem condições para levarem a reforma supimpa só com 12 anos como deputados. E então vá: “Toma lá 100 mil que é para te desenrascares, e desculpa ser tão pouco.” Devem dizer-lhes.

Mas então, se estes sujeitos ficaram “desempregados”, porque não recorrem ao Centro de Emprego da sua área de residência? E porque não passam a receber o tão abastado subsídio de desemprego que os pares deles destinaram aos infortunados desempregados? Porque razão existem sempre condições de excepção para estas autênticas “esponjas” do quase nenhum eurozito que Portugal tem? Até, se fossem para o “desemprego” a receber o subsídio estavam cheios de sorte em relação à maioria porque lhes caberia a majoração máxima de subsídio e isso dar-lhes-ia mais de mil euros por mês, durante o tempo estipulado na lei.

“Ah! Mas isso era uma miséria!” Diria Almeida Santos, os imensos Almeidas Santos e aparentados que sacaram e sacam até às entranhas estes país e o povinho deste país. O que sabemos é que os chulos do Cais do Sodré, do Intendente, do Bairro Alto, da Banharia e de outras regiões não conseguem chular tanto em tão pouco tempo. Isso é certo.

E este governo, a maioria no parlamento PSD-CDS, vai pôr cobro a esta rebaldaria? Vão reduzir o número de deputados de 250 para 180… Mas esses 70 da redução vão embolsar fortunas, não? Sem fazerem nadinha ou quase nadinha lá sacam o povinho e cá fomentam mais miséria. Isto é mesmo uma grande rebaldaria. Não há moralidade nem comem todos. Só alguns, incluindo os deputados.

A maioria no parlamento PSD-CDS, vai pôr cobro ao período de 12 anos para a reforma e nivelar esse tempo para o prazo normal, de pelo menos 20 anos (5 mandatos)? Não acreditamos? Desde quando é que os chulos mimam e poupam dificuldades às suas fontes de rendimento?

De deputados destes estamos fartos e cansados de sustentar. Que lástima… Repare-se que do apreendido na notícia audio e acima reportado para aquilo que consta neste curto apontamento de A Bola há uma grande diferença de interpretação. Até é muito possível que tenha sido minha a interpretação incorreta, no entanto numa descrição ou noutra sobressai a rebaldaria, o saca-tudo sem escrúpulos absolutamente nenhuns. Inqualificáveis, aqueles mamões! A crítica é legitimada pelo desaforo de ganância e abuso daqueles mamíferos. Os de antes, os de há pouco, os de agora… E os de futuro? Vamos continuar a permitir esta enorme rebaldaria?

Vejam-se algumas “pornografias” dos eleitos e como eles nos “coiso” sem preservativo:


segunda-feira, 13 de junho de 2011

LISBOA É LINDA, ATÉ PODEMOS VOLTAR À PRAIA DO TERREIRO DO PAÇO!




E A PRAIA DE XABREGAS, A DE PEDROUÇOS E AS OUTRAS AO LONGO DO RIO?

Façamos umas férias da política mais contaminada e falemos de algo interessante que há tempos é falado, que está nos projetos da Câmara Municipal de Lisboa mas que nunca mais vê a luz do dia. Há que tempos que a praia fluvial de Lisboa, junto ao Terreiro do Paço, está para se concretizar. Parece que é desta vez.

E porque não recuperarem a praia de Pedrouços e a de Xabregas? E até na Expo, agora chamado Parque das Nações, ali nas suas imediações, recuperar a praia que antes lá existia? Os lisboetas agradeceriam e não viveriam tão virados de costas para o Rio Tejo.

Veja-se no Cais do Sodré o “bunker-mamarracho” que construíram para a Transtejo, ou empresa semelhante, e que tapa completamente o rio nas imediações. Em vez de retirarem o que ali estava de edifícios velhos e abrirem o Cais do Sodré completamente ao rio tiveram a ousadia de construir ali aquele mamarracho. Mas que arquitetos são estes? Mas que inimigos de Lisboa temos nós na CML quando aprova determinados projetos urbanísticos e outros? E ainda são pagos a peso de ouro pelos lisboetas, pelos portugueses, para taparem algo tão lindo como é o Tejo. Mas que presidentes de câmara os lisboetas elegem para depois deixarem que estas aberrações aconteçam? Que “luvas” andam ali pelos “entretantos”? Não será dos presidentes mas que sempre se sabe por ditos e mexericos que há os que passam a viver à grande e à francesa, acima das suas possibilidades de rendimentos, é verdade. E agora quem quiser que engula a “pastilha”. Como se diz: “Não acreditamos em bruxas mas que elas existem, ai isso existem”. E é ver os bólides que adquirem, e as casas, e os luxos… Que se investigue, que se apure, que se puna.

Lisboa está em festa neste período dos Santos Populares. Lisboa ainda é linda apesar de tantos criminosos a desfeitearem. Os verdadeiros lisboetas é que já são muito poucos, infelizmente. Lisboetas são os nados e criados nesta cidade e que a amam como a uma mulher por quem se sentem incondicionalmente fieis, que a viveram e a vivem, que chegam à velhice sem se fartarem de olhar e até lacrimejar pelas belezas de Lisboa e pelos terríveis atentados de que é vítima. Os restantes cidadãos que ocupam Lisboa não passam de vai-e-vens que só pisam a capital para virem para os seus empregos de manhã e abalarem ao fim da tarde. Nada vêem, nada vivem, por ela não se apaixonam nem se sentem lisboetas – mesmo que nascidos ocasionalmente numa maternidade da cidade. Atarefados como sobrevivem nesta selva empresarial e de trânsito caótico nos acessos à cidade nem tempo têm para ver e sentir a cidade.

Mas aqui começa-se com a boa notícia. Praia na baixa lisboeta. Que maravilha. Vamos ver se atrás disso não acontecerá mais uns atentados à cidade. Se acaso em compensação não haverá projeto para tapar o rio em outro local com mamarrachos inconcebíveis que visem única e simplesmente o lucro, ferindo os direitos paisagísticos e outros dos lisboetas e daqueles que querem ver Lisboa como a pintamos, mais que não seja com memórias - sempre linda!

Quer fazer praia na Baixa de Lisboa? Vai ter de esperar só mais um ano


Dentro de dois meses avançam as obras para requalificar a Av. Ribeira das Naus, que vai ter jardins e uma praia fluvial
 
Dentro de dois meses, a zona da Praça do Comércio, em Lisboa, vai estar outra vez de pantanas. Até ao fim do Verão começam os trabalhos para requalificar a área envolvente da Avenida Ribeira das Naus. Primeiro vieram as obras da estação de metro do Terreiro do Paço, depois chegaram os esgotos e agora será a vez de uma praia fluvial e jardins ocuparem a frente ribeirinha do Tejo.

São 10 milhões de euros suportados pela Sociedade Frente Tejo (capitais públicos), fundos europeus (3,5 milhões) e ainda pela câmara municipal para construir em terra e ainda conquistar 18 metros de terrenos ao rio.

Ter uma praia na Baixa de Lisboa e ainda passear por quatro hectares de espaços verdes colados ao rio não vai acontecer para já. Segundo explicou ao i fonte da autarquia, concluir a requalificação da Ribeira das Naus demorará "pelo menos um ano", podendo até estender-se por "mais algum tempo dado a complexidade da obra". Demorando mais ou menos tempo, espera-se que a zona ribeirinha seja devolvida aos lisboetas e turistas até à época balnear de 2012. Só que antes disso, será preciso eliminar um grande obstáculo - o trânsito. Para isso, a Avenida Ribeira das Naus terá de ser desviada através de uma estrada paralela ao rio e à praia fluvial, suportada por estacas metálicas enterradas a mais de 30 metros de profundidade.

Dois pontões, colocados nas extremidades da plataforma, vão suportar a rampa rodoviária, que vai entrar pelo rio adentro. Será portanto um viaduto destinados aos peões, bicicletas e automóveis com cerca de 200 metros, rodeado de água pelos dois lados. Estacas cravadas até à rocha e uma grande laje que vai roubar 18 metros de terrenos às águas do Tejo, vão dar estabilidade à praia fluvial. As áreas pedonais e de lazer vão estar alternadas entre zonas relvadas, calçada branca e ainda espaços cobertos de basalto.

Outros planos. A reabilitação da Ribeira da Naus é só um dos três projectos planeados para as zonas que, em Junho de 2010, deixaram de estar sob a alçada da Administração do Porto de Lisboa (APL) e passaram para a gestão da Câmara de Lisboa. Na área da Junqueira/Belém, por exemplo, já começou a ser construído o edifício onde ficará o Museu Nacional dos Coches; e para o Poço do Bispo/Matinha está planeado um espaço verde de uso público, ligado ao novo parque urbano do Oriente.

Das seis áreas sem uso portuário que passaram para a autarquia, há três zonas com projectos ainda em fase de estudo. Na área envolvente à Torre de Belém, a câmara quer reconverter o espaço verde para actividades de lazer. O espaço envolvente ao Espelho de Água, junto ao Museu de Arte Popular, será igualmente requalificado.

A autarquia pretende ainda repensar a função da Praça do Cais do Sodré com o objectivo de articular o rio e a parte alta da cidade. Estas são as áreas administradas pela câmara de Lisboa, mas o acordo com a APL prevê ainda uma gestão partilhada de outros três espaços.

A Doca de Pedrouços é um deles e vai receber em 2012 a Volvo Ocean Race, a mais importante regata com escala mundial. Neste local deverá manter--se o "Edifício da Lota", que será reconvertido. A requalificação inclui ainda o desmantelamento dos viadutos metálicos entre a Avenida de Brasília e a Avenida da Índia, que serão substituídos por "micro túneis".

Na área envolvente ao Cais de Santos está prevista a demolição de alguns edifícios industriais sem interesse arquitectónico. Esta zona terá ligação, através de passagens pedonais, com as áreas dos Planos da Boavista Nascente e Poente, onde a EDP vai ter a sua nova sede e está projectada uma urbanização de Carrilho da Graça, arquitecto que vai também a redesenhar a área para onde estiveram previstas as Torres de Norman Foster.

A última área de gestão conjunta - o Parque Oriente - conta com três grandes operações urbanísticas: os Jardins Braço de Prata (Renzo Piano), o Loteamento da EDP (antiga Tabaqueira) e o Plano de Pormenor da Matinha, que prevê a reconversão dos antigos gasómetros.

Com Lusa

sexta-feira, 10 de junho de 2011

DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES, OU DIA DA RAÇA?




Recordo os tempos idos dos anos sessenta. Em que qualquer de nós, português e rapaz, já sabia aos 12, 14 ou 15 anos, com a devida antecedência, que ia ter de “gramar” a tropa e a guerra colonial, que nos arrasaria a juventude e nos atrasaria a vida, na melhor das hipóteses. Na pior não regressaríamos vivos ou então deixaríamos lá, pelo dito ultramar, uma ou duas pernas, ou braços, ou pés, ou mãos… a alma… Qualquer parte de nós próprios em nome da glória de uma pátria fascista e colonialista que servia quase em exclusivo uns oficiais das forças armadas cheios de reumático, de teias de aranha e negociatas com a dúzia de famílias a quem pertencia Portugal.

Era no 10 de Junho desse tempo que no Terreiro do Paço, em Lisboa, nas cerimónias cinzentas víamos pais e mães, irmãos e mulheres, até filhos muito pequeninos – dos combatentes mortos – serem condecorados com a cruz de guerra desta e daquela classe por atos heróicos. Espetáculo repleto da negritude da hipocrisia do regime e dos da pátria do cifrão que nas ditas colónias em África exploravam os africanos e nos mandavam reprimi-los em nome de um estado Salazar-fascista e de uma igreja católica que não lhe ficava absolutamente nada atrás com o seu chefe Cerejeira, cardeal capanga de Salazar desde a juventude. Duas nefastas figuras de então a que davam o epíteto de “testículos” por andarem sempre juntos, ou ainda recriar o dito: “Em que pensas cardeal? Em ti, meu grande animal!” Supostamente era Salazar a perguntar e Cerejeira a responder. Na realidade eles eram dois terríveis e temíveis animais que em sintonia arrastaram o país para o atraso que ainda hoje é patente. Esse era o 10 de Junho, Dia de Portugal e Dia da Raça, fascizante e colonialista.

Décadas volvidas, a mostra é de que estamos em caminho regressivo às mãos de políticos que airosamente se escondem na democracia conquistada em Abril de 1974. Este dia para Cavaco Silva, presidente eleito por cerca de um quarto dos eleitores portugueses, ainda é o Dia da Raça. Ele mesmo o disse com todo o desafogo há um ano ou dois, por esta altura de comemorações. Falando com sinceridade e assumindo-se homem do antigamente. E ali continua o cinzento sujeito em Belém, hirto, seráfico, asalazarado, falando de sacrifícios repartidos mas não se privando dos quase exclusivos benefícios da democracia nem da oferta de lautos banquetes pagos pelo povo em festarolas oficiais aos que todos os dias vivem em êxtase e sumptuosamente à conta dos que são na realidade vitimas da crise gerada pelos da pátria do cifrão e seus apaniguados políticos. O tempo voltou para trás. Regressámos a um Portugal cinzento por obras e desgraças arquitetadas por políticos sem decoro ou com aparente decoro mas que não se coíbem de “sacar o deles” antes que “se faça tarde”. O cinismo impera na política portuguesa, a corrupção e os conluios é inenarrável. Isso mesmo se percebe em discursos medíocres que vimos e ouvimos todos os dias com bastante enfado.

Percebe-se que os portugueses estão fartos destes abutres políticos de colarinhos brancos, a exemplo de outros povos da Europa e do mundo. Decerto que eles também já percebem isso. É tão evidente. Mas o que não conseguem é usar de honestidade suficiente para largarem os “tachos”, abandonarem de vez as suas enormes ambições de poder quase eterno, abandonarem a proteção aos amigos a quem distribuíram igualmente mais “tachos” e benefícios que representam imensos milhões e que saem dos sacrifícios dos que sobrevivem com enormes vulnerabilidades. Eles não sabem como poderão sair sem que posteriormente, alguma vez, algum dia, se conclua documentalmente ou por outra via sobre as suas negociatas e responsabilidades naquilo que agora dizem ser o fracasso e responsabilidades de todos os portugueses. É que para se usarem e abusarem dos bens públicos servem-se esbanjadora e egoistamente. Depois as responsabilidades são de todos e os sacrifícios cabem somente aos plebeus e plebeias. Independentemente da hipocrisia contida nos seus discursos em que se declaram também uns sacrificados. Nada é mais falso. Foi Dia de Portugal, um dia quase à moda do antigamente. De Abril quase nada sobra. Estamos a ser dirigidos por figuras cinzentas e ainda mais perigosas que os de antigamente. Desmesuradamente oportunistas e gananciosos. Parece ter sido mais um Dia da Raça, com cheiros a incenso, a naftalina, a discursos medíocres e hipócritas. Dali só destoou António Barreto. Alguma coisa. Mas o que disse será inconsequente.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

FANTASMA DO CARRASCO PIDE-FASCISTA SILVA PAIS AINDA MEXE


Silva Pais, condecorações do regime ao serviço das atrocidades

E eu que pensava que em Portugal já não havia quem tivesse dúvidas sobre a condenação dos carrascos da PIDE-DGS, a polícia política de Salazar-Caetano, escórias diplomadas dos tempos negros da ditadura. Enganei-me.

Sobrinhos do carrasco e conluiado em torturas e assassínios, Silva Pais, processaram e acusam dos crimes de "ofensa à memória de pessoas falecidas" e de difamação, reclamando ainda uma indemnização de 30 000 euros, intervenientes de autoria e exibição da peça de teatro “Filha Rebelde”, em que Silva Pais é mostrado em conformidade com as prerrogativas dos autores – que até enfermaram de uma certa brandura, em opinião de muitos que viram a peça.

Não deixa de ser surpreendente que pessoas praticamente vividas na maior parte do tempo de suas vidas no Portugal livre e democrático se sintam ofendidos por numa peça de teatro serem retratados aspetos ficcionados ou não de uma figura tão sombria e desumana como Silva Pais, major cobardola que nem os pés pôs na guerra colonial, apesar daquela ter acontecido por treze anos.

Frente ao espelho medito se acaso fosse sobrinho de tal ave de rapina das liberdades e de muitas vidas de portugueses não sentiria vergonha, ao contrário destes sobrinhos tão dedicados à triste memória do jagunço-chefe de Salazar. É caso para ter vergonha e não fazer floreados, armar em vítimas, em pudicos, munidos de aparente indignação, por os portugueses guardarem memórias tão negras do malvado sujeito. Já faleceu. Pois que nem descanse em paz!

O processo vai continuar e daqui veremos o que sai. Nada me admira que o juiz ou juízes se decidam por acederem às pretensões dos sobrinhos sem vergonha, como demonstram. Talvez de acordo com as suas vontades também os juízes optem por abrir precedente num cerrado ataque à democracia e à liberdade de criação artística, à liberdade de nos expressarmos sobre a verdade acerca de verdadeiros abutres fascistas como Silva Pais e muitos outros escórias que ele chefiava com pulso de ferro e que louvava, protegia, promovia e condecorava pelos “bons serviços” prestados ao salazarismo. Os “bons serviços” incluíam prisão, torturas e mortes. Recordo o caso do Cenoura, o Ruivo, o Seixas, carrasco do Tarrafal que quando regressou logo se foi vendo acarinhado pelos serviços do carrasco-mor Silva Pais, promovido a inspetor-chefe-dos-inspetores, que foi onde o 25 de Abril de 1974 o veio encontrar. Um repelente sub-humano a transbordar de maldade e servilismo à ditadura repressiva e assassina.

Isto vai “bonito”, vai. Ai, vai, vai. Mas tem uma utilidade: volta-se a falar de Silva Pais, um enorme carrasco dos portugueses que dele guardam memórias terrificas por via daquilo que a sua polícia política sempre representou em Portugal, medo, terror.

Defender a memória do chefe-mor de uma “coisa” assim… Eu? Que vergonha! Que exageros!

Compete à comunicação social fazer “saltar” cá para fora a verdade sobre a PIDE-DGS, sobre os imensos Silvas Pais assassinos e torturadores que atormentaram vá rias gerações de portugueses que afinal só queriam liberdade, justiça e democracia no país. Em baixo seguem três extratos sobre o assunto. Muitos mais existem e muitos mais vão existir. É assunto para dar que falar. E as vítimas de Silva Pais e de muitos outros PIDEs que falem. É imperioso. Porque estes sobrinhos ou não sabem quem era o tio ou então há ali um problema genético – coisa em que não acredito.

DA LUSA E DOS JORNAIS 

Sobre: Familiares do carrasco de imensos portugueses, o diretor da PIDE-DGS, Silva Pais, processaram responsáveis pela arte teatral nacional por causa da peça “Filha Rebelde”

Julgamento do "Filha Rebelde"
pode abrir "precedente gravíssimo na democracia" - Frederico Delgado Rosa

De Cláudia Páscoa (LUSA)

Lisboa, 08 jun (Lusa) -- O investigador Frederico Delgado Rosa considera que o julgamento de dois ex-diretores do Teatro Nacional D. Maria II e da autora da peça "A Filha Rebelde pode abrir um "precedente gravíssimo na democracia portuguesa".

"Este julgamento é uma tentativa de abrir um precedente gravíssimo na democracia portuguesa, porque mais ninguém, senão eles, têm o direito de interpretar as fontes, reinterpretar, reescrever a história", sustentou Frederico Delgado Rosa.

O investigador, neto do general Humberto Delgado, falava à agência Lusa a propósito do julgamento de Carlos Fragateiro e José Manuel Castanheira (ex-diretores do D. Maria II) e da autora da peça "A Filha Rebelde", Margarida Fonseca Santos, que são arguidos num processo interposto pelos sobrinhos do último diretor da PIDE, Silva Pais, que os acusam dos crimes de "ofensa à memória de pessoas falecidas" e de difamação, reclamando ainda uma indemnização de 30 000 euros.

Julgamento da "Filha Rebelde" é uma "farsa autêntica" - Iva Delgado

Lisboa, 08 jun (Lusa) - Uma "farsa autêntica", sem "cabimento nenhum", é como Iva Delgado, filha do general Humberto Delgado, classifica o julgamento da peça de teatro "A filha rebelde", sobre a história da filha do último diretor da PIDE, Silva Pais.

Em declarações à agência Lusa, Iva Delgado manifestou-se "abismada" pelo facto de familiares de Silva Pais terem levado a tribunal os autores do texto e da peça de teatro.

"Estamos em democracia e as pessoas podem manifestar a sua opinião sobre figuras históricas. Imagine o que seria agora todos os descendentes de figuras históricas porem processos aos historiadores, aos jornalistas, a todos os que escreveram ou têm opiniao sobre. Seria a inversão de valores mais extraordinária da história do século XX. É impensável", afirmou.

Em causa está uma peça de teatro estreada no Teatro D. Maria II, em 2007, e que conta a história de Annie Silva Pais, filha do antigo diretor da PIDE, Silva Pais.

Julgamento da autora da peça “A Filha Rebelde” e de 2 ex-directores do D. Maria II

ESQUERDA NET

Esta terça feira tem início o julgamento de Margarida Fonseca Santos (autora), Carlos Fragateiro e José Manuel Castanheira (ex-directores do Nacional D. Maria II) acusados dos crimes de difamação e ofensa à memória de pessoa falecida, pelos sobrinhos do antigo director da PIDE Silva Pais.

A peça foi uma adaptação do livro “A Filha Rebelde” de José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz, sobre a filha do antigo director da PIDE Silva Pais, e teve encenação de Helena Pimenta.

Os sobrinhos de Silva Pais alegam que na peça foi insinuado que o ex-director da polícia política foi um dos responsáveis pelo assassinato de Humberto Delgado, o que consideram difamatório e ofensivo da memória do tio e baseiam a queixa no facto de o tio não ter sido condenado.

No entanto, segundo noticiou o “Sol” em 23 de Fevereiro passado, “Silva Pais não chegou a ser sentenciado no processo do assassínio de Humberto Delgado por ter morrido seis meses antes de terminar o processo no Tribunal Militar de Lisboa em que o Promotor Público o tinha acusado de co-autoria moral do crime”.

O Ministério Público (MP) demarcou-se do processo, não acompanhando a acusação.

Sobre este julgamento, a autora da peça, Margarida Fonseca Santos, escreveu estas palavras:

“Conquistámos, no 25 de Abril, a liberdade de expressão, que está agora posta em causa. Mas, mais grave ainda, esta é uma tentativa de branquear a imagem daquele que foi o responsável máximo da PIDE - a polícia política que perseguiu, torturou e matou muitos opositores ao regime, entre eles o General Humberto Delgado”.

O julgamento é nesta terça feira, 3 de Maio, pelas 9h15 em Lisboa, no 2º Juízo Criminal, 3ª Secção, Avenida D. João II, 10801 - Edifício B. Parque das Nações.

terça-feira, 7 de junho de 2011

TUDO COMO ANTES, QUARTEL-GENERAL EM ABRANTES!




Todos sabem que esta prosa já era. Quase que nem merece existir. Há tanta coisa por aí sobre o resultado das eleições em Portugal. Para algum atrasado na atualidade é que ainda poderá ser útil: o PSD foi o partido mais votado nas eleições legislativas em Portugal.

Sobre o assunto têm imenso por onde escolher ainda hoje, na imprensa portuguesa e estrangeira. Os títulos soam a novidade, pelo menos parece que pretendem ser. Ao fim e ao cabo não é novidade alguma. Já sabíamos que seria o PSD o partido mais votado, com menos de 39 por cento dos votantes, e logo a seguir foi o PS com 28 por cento, depois o CDS com pouco menos de 12 por cento. E assim, aliando-se, formam uma maioria com 51 por cento dos votos, praticamente o mesmo que foi conseguido por Cavaco Silva ainda há meses na eleição para presidente da República.

O resultado desta aliança PSD-CDS, em termos de deputados, é que lhes dá mesmo uma maioria bastante significativa em número, 129 contra 97 da chamada esquerda. Faltam por aqui uns míseros resultados de deputados pela emigração que não irão mudar nada.

E então? Onde está a novidade? Estes foram os resultados que todos esperavam. Sabíamos que ia ser assim. Os mesmos, no mesmo sítio, com as mesmas políticas. Que dizem ser de direita. Mas então as políticas de Sócrates e do PS não são, não eram, de direita? Pois claro que eram. Há décadas que é assim!

Quererão dizer que agora, com Passos Coelho e com esta aliança PSD-CDS as políticas vão ser mais à direita? Que vão governar para o grande capital? Pois vão. Mas isso não é mudança nenhuma. Sócrates do PS era o que vinha fazendo. E foi ele que assinou, com a concordância do PSD e do CDS, que quem passa a governar em Portugal são as eminências pardas do FMI às ordens dos grande interesses dos empórios financeiros e dos interesses colonialistas da Alemanha, da França, da Holanda e da Inglaterra. Principalmente a Alemanha está a fazer da Europa sua refém. Refém da banca alemã. É assim na Grécia e em Portugal, mais descaradamente. Por isso a Merkel, arraçada de Hitler, da família xenófoba de Sarkosi, manda os povos do sul trabalharem mais. Surpresa que se chegou à conclusão, em estudo devidamente credenciado e credível, que em Portugal se trabalha mais trezentas e muitas horas por ano do que na Alemanha, na França etc. O sul da Europa, que a xenófoba e racista Merkel substima, achincalha e está colonizar, anda a trabalhar para que a Alemanha viva à grande à custa da miséria que Merkel e seus antecedentes têm vindo imposto.

Resumindo: este novo governo PSD-CDS não trará nada de novo. Vai governar-se em Portugal às ordens do FMI e do FE, que são a mesma coisa. Eles vão governar-se e o povinho vai ter de trabalhar muito mais e ingerir menos calorias, a gozar de fome, de imensas carências e privações. Além do mais o Parlamento quase não tem deputados novos. Talvez uns 10 naquelas mais de duas centenas. Ficam lá os mesmos, as mesmas caras conhecidas, esbanjadoras, oportunistas, parasitas e quase sempre bem falantes – como convém para nos enganarem.

Por mais cruel que seja, fato é que quem voltou a vencer foi a abstenção com mais de 41 por cento. Se contarmos com os votos em branco e nulos (daqueles onde chamam nomes feios aos políticos com inscrições “memoráveis”), mais de metade dos eleitores portugueses não votaram. Mostraram uma vez mais que não confiam no presidente da República, nos partidos políticos atuais, nos que têm governado – que se têm governado - ou se preparam para fazê-lo. Os eleitores portugueses não confiam nestes políticos. Ponto final.

Mais demonstrado isso mesmo, a falta de confiança, mudou alguma coisa? Não. Tudo na mesma. O que é novo para uns quantos, que acreditam em milagres, são as caras do governo que vem aí. Algumas caras, provavelmente. Mas todas do mesmo “aviário” pestilento destes partidos políticos do arco governativo. Que agora até vão governar para os deles e mais intensamente para a Alemanha e associados, para o FMI.

Importa que os objetivos de Cavaco Silva - o maluquinho dos números de coça para dentro da alta finança e dos grandes empresários – e dos partidos associados àqueles objetivos, vão poder manobrar ainda mais à vontade e encostar o povinho muito mais à parede. Tudo como antes, quartel em Abrantes, como é dito pelos de mais idade para expressar que está tudo na mesma, que não devemos esperar nada de novo, a não ser mais miséria e exploração.

Mas nem tudo é negativo. Livrámo-nos de José Sócrates para daqui por uns tempos assistirmos aos dizeres de muitos que vão propalar saudades dele. Masoquismos.

Apesar de muita vontade que possamos ter para proporcionar o benefício da dúvida ao futuro governo PSD-Cavaco-CDS é fácil futurar que nem as bostas nem as moscas mudara.

Resta deixar aqui umas palavras para a “esquerda” do BE. Aquela que desde que se sentou nas cadeiras do parlamento tem vindo a perder a audição e outros sentidos, que se engravatou e se submeteu aos colarinhos brancos. Perdeu metade dos votos, metade dos deputados. Sinónimo de que quase não há diferença entre o BE e os outros partidos do arco governativo. A “esquerda histórica e empedernida” do PCP, aliado aos verdes para fazer a CDU, cresceu. Lá vai, desta vez, com mais um ou dois deputados. Igual a si próprio, a dizer muitas verdades, não mentindo nem enganando, o PCP só cresceu porque houve uns quantos abstencionistas sistemáticos que antes votavam nele, e que no domingo se deram ao trabalho de lá ir ser fiéis aos seus princípios ideológicos. Sabendo que nada iam alterar. Foram votar mais pelas suas consciências do que acreditando que iam mudar alguma coisa. Votaram e o PCP até merece. É honesto e fiável. Sabemos com aquilo que podemos contar. Talvez um dia os portugueses voltem a reconhecer isso mesmo. E estaria o PCP disposto a exercer uma Verdadeira Democracia, reformando esta democracia de fantochada? Só experimentando saberemos. Os partidos políticos assim que crescem embriagam-se com os poderes…

sábado, 4 de junho de 2011

BORRIFEM-SE PARA O QUE CAVACO DIZ COM “ARES” DE “ANTIGAMENTE”




TENHA DÓ, SENHOR CAVACO!

Apesar de querer não fazer pronunciamentos políticos no dia de hoje, por ser período de reflexão para os que ainda não refletiram, violo este propósito porque as declarações de Cavaco Silva no Facebook não me deixam calar o susto que considero que aquele sujeito nos pode causar. Cavaco encarna vezes demais declarações que nos transportam ao “antigamente”. Que ele seja um homem do “antigamente” é uma coisa, mas que usando-se dos seus cargos graças à democracia nos assuste com declarações com “ares” dos “velhos tempos” salazaristas é que é de repudiar.

Segundo a notícia, transcrita já aqui em baixo, Cavaco vai fazer uma comunicação ao país alusiva ao dia de amanhã, dia de eleições. Será “uma comunicação onde vai apelar ao voto nas eleições legislativas de amanhã, domingo, referindo que quem se abstiver perde a legitimidade para criticar o próximo Governo.”

A seguir, noutro parágrafo afirma que “é um dever de todos os cidadãos manifestarem a sua vontade” atendendo à situação do país. Claramente está escrito que “O Presidente da República considera que “quem não votar perde a legitimidade para depois criticar as políticas do Governo" que será eleito nas legislativas de domingo.” Ora se primeiro é um dever dos cidadãos manifestarem a sua vontade a abstenção é legíma e não nos coarta direitos constitucionais. Ou não é assim?

Não quis acreditar que Cavaco tivesse afirmado isto. Mas afirmou. E pelos vistos é aquilo que vai afirmar na sua comunicação ao país a ser veiculado nas televisões e nas rádios.

Os tiques salazaristas deste sujeito impressionam-me. E, pelo menos, assustam os que já penaram desde que nasceram, por décadas, os “velhos tempos” salazaristas.

Mas quem é Cavaco Silva para afirmar que quem não votar “perde a legitimidade para criticar o próximo Governo”? Desde quando? Qual é a lei que retira essa legitimidade aos cidadãos portugueses? Das três uma: ou Cavaco não sabe falar, ou não sabe pensar, ou pensa e diz o que quer e arraça-se de salazarista chapado neste tipo de declarações!

Não votar é uma opção e um direito constitucional igual à opção de votar. Temos todo o direito de nos abstermos e temos todo o direito de criticar os governos e políticos que sob suas ações mereçam ser criticados. Não existem portugueses assim e outros assado como nos tempos do Salazar, ou pelo menos não deviam existir. Tudo indica que na cabeça de Cavaco eles existem mesmo.

Imagine-se que entre vários pratos de sopa um individuo se abstém de comer sopa. Não toca em nenhuma das cinco ou seis sopas diferentes que lhe oferecem para escolher porque as conhece e sabe que não quer, que não gosta de nenhuma. E então esse individuo não tem o direito de se pronunciar e de criticar as sopas que não quis, porque não gostava ou porque em sua opinião não prestavam?

Uma era sopa de mijo, outra de diarreia, outra de peles de rato, outra couro de chulos, outra de parasitas, outra de corruptos, outra de grandes fugas de impostos (SISA), etc. O individuo sabe perfeitamente os sabores das sopas, não gosta, não quer aquelas e não tem mais para escolher… Abstém-se e é livre de as criticar. De dizer que a de mijo é um nojo, que a de diarreia é asquerosa, que a de fugas de impostos é vergonhosa… E assim sucessivamente. Mas para Cavaco não. Há que votar. Provavelmente se pudesse ia-nos buscar a casa e votaríamos à força. Ou se calhar até o melhor era serem só uns quantos dótores a votarem, que ele escolheria. Ou colégio eleitoral… Qualquer coisa assim. O senhor Cavaco é um susto e é também aqui nestas aparentes pequenas coisas que o vai demonstrando.

Este sujeito, eleito PR à rasquinha, para quem sabe um pouco daquilo que foi o “antigamente” e que experimentou penar, assusta. Os seus tiques de ditador, ou pelo menos antidemocráticos, parecem multiplicar-se com a idade… Ou então sente-se mais autorizado e revelar-se. O que seja é preocupante. Ainda mais se tivermos um governo na mesma linha. Resta-nos ficar atentos e não nos calarmos, criticarmos quando considerarmos que o devemos fazer e assim nos garante a Constituição. Não nos calarmos. Borrifarmo-nos para o que Cavaco quer e diz. No mínimo poderá ser impensado mas é sempre desonesto. Como em política não existem acasos…

Parece evidente que os atuais políticos estão com um medo enorme de que os portugueses abram de vez os olhos e usem a arma da abstenção para os destituir. E Cavaco é um dos que está com imenso medo disso. A abstenção nas eleições presidenciais foi retumbante, cerca de 60 por cento.

Ora se nos põem trampa à frente, que até já conhecemos há imensos anos e nos tem feito infelizes e miseráveis, devemos continuara a escolher essa trampa? Podemos fazê-lo ou não. Mas essa é opção nossa, sem mais consequências. Até porque quem vai governar Portugal nos próximos anos vai fazê-lo às ordens do exterior, mais do mesmo mas a falar outras línguas, o que parece agradar a Cavaco. Tenha dó, senhor Cavaco!
 
Original em PÁGINA GLOBAL

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Eleições no domingo: VIRA O DISCO E TOCA O MESMO. ATÉ QUANDO?


A apanha eleitoral termina hoje em Portugal, como é requerido por lei. Mas ela continua sempre. O que acontece é que neste período, dito legalmente de Campanha Eleitoral e que mais não é que o período de apanha votantes crentes em desespero, ingénuos e incautos. Também os que se identificam com as mentiras e promessas sistematicamente incumpridas são apanhados. Mas esses com agrado, presume-se.

É neste período eleitoral que mais mentiras e tricas escutamos entre os candidatos. Em cerca de duas semanas vimos um desfiar de rosários que em quantidade talvez superem os milhentos santinhos promovidos pelo Vaticano. É um fartar de mentir e de prometer o impossível que sabemos ser assim. Mas o curioso é que os que são apanhados, os eleitores, caem sistematicamente na esparrela. E lá vão votar nos mentirosos de sempre, que falam como se não tivessem responsabilidades absolutamente nenhumas em todos os prejuízos que trazem aos portugueses e em todos os benefícios que obtém para si próprios, para as clientelas partidárias, para os familiares e amigos. A maioria dos eleitores quer parecer que caminham para as urnas de voto absolutamente hipnotizados. Fazem-no desde sempre e votam sempre nos mesmos, nos hipnotizadores mais evidentes e insistentes. Aqueles que ao longo de 37 anos detém alternadamente o poder. O PS e o PSD. Solução para isso não se vislumbra. Daí ser certo e sabido que este é um país a prazo, até não ter salvação. E depois não venha o povinho dizer – que é quem vota – que não tem responsabilidades nenhumas pelo descalabro a que chegámos. Têm e não é pouca. Sabem muito bem que estão a eleger gatunos, a eleger corruptos, a eleger incompetentes, a eleger indivíduos que quando é necessário e oportuno são promíscuos nas suas relações com as grandes companhias e lobbies privados. É vê-los, depois de serem ministros e mais ou menos abaixo disso, a serem contratados com vencimentos inconcebíveis, imorais, que nada têm que ver com as suas competências. Pelos lindos olhos deles e delas também não é. Porque será?

Domingo, vota-se. Na segunda-feira saberemos pela certa que vamos ter mais do mesmo. Que não mudam as moscas nem as defecações do costume. Será mais do mesmo estrume, até ao afogamento final. Até lá a carestia da vida será ampliada. As carências vão invadir muitas mais famílias. O desemprego é certo. A miséria vai ser ainda mais estonteante em qualidade e quantidade. Com olhos anémicos, os portugueses eleitores vão ver aqueles que voltaram a eleger pela enésima vez fazerem fortunas. Os então subalimentados e esqueléticos eleitores terão uma vez mais oportunidade de ver e ouvir falar até à saciedade os gordos e anafados políticos dizendo mentiras e vulgaridades costumeiras. A técnica deles é sempre a mesma e os trouxas até parece que são sempre os mesmos, hipnotizados, amorfos, estúpidos, masoquistas, temerosos nas mudanças, cobardes. Talvez à espera de D. Sebastião. Assim é e assim será. Até quando?

Já cansa. Este vira o disco e toca o mesmo. Aliás, sinaliza o voto e elege os mesmos.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

UNMIT pede desculpas e FRETILIN justifica-se perante “ditador Gusmão”





AS OPOSIÇÕES HONESTAS TÊM DE SER TRANSPARENTES, SEM TEMORES NEM COMPLEXOS

Hoje é Dia Mundial da Criança. E depois? O que é que isso contribui para a felicidade das minorias das elites? O que é que isso contribui para as crianças maltratadas e famintas que existem pelo mundo fora? O que é que isso contribui para julgar e condenar os que fomentam a fome ao apropriarem-se indevidamente dos recursos naturais e mais valias produzidas pelos povos? Este é mais um dia em que crianças morrem de fome e também em que famílias vendem filhos para conseguirem mitigar a fome dos que ainda restam lá em casa. É o caso de Timor Leste. É ver mais em baixo a notícia da Lusa. Mas não é realidade somente encontrada em Timor Leste. Por todo o mundo acontece. Daí saem escravos e escravas sexuais, por exemplo. Escravos de todo o tipo. Há muita fome e todo o tipo de carências em Timor Leste e em contrapartida esvaem-se milhões não se sabe bem em quê. Compete às oposições serem honestas e usarem de toda a frontalidade e transparência para defenderem os interesses prementes do povo timorense já tão massacrado.

Em Timor Leste esta realidade é de há anos. Na primeira edição do Timor Lorosae Nação foi divulgada por imensas vezes a venda de crianças como único meio encontrado para a restante família ir subsistindo. Mal, mas sobrevivendo subalimentada. Não é por acaso que crianças descem à capital, vindas das montanhas, para se prostituírem, venderem fruta, peixe e o que mais seja vendável, em vez de cumprirem as suas vidas escolares, de lazeres e de brincadeiras, convenientemente vestidas e alimentadas. Em contrapartida vimos os filhos das elites a viverem muito acima dos recursos legais obtidos pelos pais ou outros familiares. E se assim vivem é porque são filhos de gentes sem escrúpulos, de hipócritas que se dizem laborar para o bem-estar e para a justiça social mas que esbanjam o que não lhes pertence, sabendo-se que também por isso são contribuintes das carências das imensas famílias timorenses.

Às verdades sobre as realidades timorenses que uma vez por outra surpreendem a opinião pública vimos de seguida, quem nelas interfere e as vincula na divulgação sobre o ditador encapotado (para alguns) Xanana Gusmão e a sua governação, apresentarem desculpas ou sacudirem as responsabilidades de terem sido os veículos da causa de transparência.

Isso mesmo é hoje notícia. A UNMIT, através do expoente máximo seu representante em Timor Leste, Ameerah Haq, apresentou desculpas esfarrapadas sobre notícia de um relatório da ONU em que Xanana Gusmão é apontado como um perigo para o exercício da democracia (ver relacionados em baixo). Foi por uma vez oficialmente mostrado ao mundo o que na ONU consta sobre as práticas de Xanana Gusmão e seus métodos de governação. Outros relatórios existem e até muito mais contundentes e conclusivos. A cobardia da ONU para enfrentar as realidades sempre existiu. Neste caso já existe há tempo demais e se nada fizer de útil, de concreto, os timorenses vão ter muito que penar. É a própria ONU, em África, como em todo o lado, que apoia monstros corruptos e sanguinários, escolhendo o que considera ser o menos monstro (às vezes não) e depois quem sofre são os povos. Isso mesmo é o que se passa em Timor Leste. O futuro o dirá.

E lá foi Haq, em nome da ONU, negar o inegável. Desculpar-se indevidamente, vergonhosamente, submetendo-se à mascarada de democracia e de justiça que existe em Timor Leste quando devia manter a sua posição e até libertar mais um ou outro relatório dos que possui em modo confidencial para sustentar ainda mais o que foi divulgado. Devia fazê-lo em forma de antídoto. Sem receios de provocar o conclusivo inimigo da democracia timorense. Assim, mostrou os seus receios em o provocar e que dessa provocação resultasse algo de mais violento, despoletado por ele e seus obedientes executores. A ONU lembrou-se de 2005, de 2006 e de 2007. Do golpe de estado e consecutiva violência e destruições ocorridas. É a paz podre em Timor Leste, acarinhada pela ONU. Ali como em muitos outros países em que intervém. A própria ONU se transforma em adubo das injustiças ao não enfrentar os ditadores logo que os deteta e são corretamente mencionados nos seus relatórios. Preferindo refundi-los e deixar andar. Contribuindo imenso para o crescente sofrimento dos povos e dos défices de honestidade, de justiça e de democracia. Neste caso é isso que se passa em Timor Leste.

Também a FRETILIN negou ter sido catapulta para a divulgação do referido relatório em que Xanana Gusmão é referido como um inimigo da democracia. Pouco importa se foi ou não foi. Se não foi devia de ter sido. Essa é sua obrigação perante o povo timorense, perante os imensos amigos de Timor Leste espalhados pelo mundo, perante a opinião pública timorense e mundial. Neste aspeto, a FRETILIN ou qualquer outro partido político não têm de se justificar perante Xanana Gusmão e menos ainda perante o seu partido CNRT, fabricado para se apossar do poder na sequência do golpe de estado em 2006, de mãos dadas com Ramos Horta, a igreja de métodos retrógrados e egoístas timorenses, figuras referenciadas como integracionistas do país na Indonésia – à revelia do resultado democrático do referendo. A escória timorense aderiu ao CNRT, à mistura com uns quantos bons filhos de TL. Isso mesmo afirmou Mário Carrascalão por esse tempo. Isso mesmo tem sido demonstrado. Isso mesmo sabiam muitos timorenses e agora ainda o sabem melhor.

Os abespinhados com a divulgação do relatório da ONU, feito por entendidos da ONU que in loco analisaram o que se passava no país e quem é quem nas suas práticas, fazem lembrar as prostitutas que sabendo sê-lo aparentam indignação. Nada mais que isso. Se acaso as inteligências australiana e portuguesa divulgassem publicamente o que têm em “carteira” sobre Timor Leste, Xanana Gusmão caía num ápice do poder de que argutamente se apossou. Era completamente desmistificado. O que o salva é não ter oposições transparentes e a sério. Nada mais que isso. Gusmão não é nenhum papão. Apesar de ter todos os poderes com ele - as forças armadas, a polícia, a igreja romana, empresários desonestos, etc., não é mais poderoso que a Indonésia de Shuarto quando ocupou Timor Leste, e essa caiu.

As responsabilidades de Ramos Horta em toda esta triste realidade timorense vão aumentando. Se não quer ser igualmente trucidado pela indignação do povo tem de deixar de andar enlevado em caridadezinhas e pugnar por que aos timorenses seja proporcionado o que o país possui e lhes pertence de direito próprio e não somente às elites que o rodeiam e que cada vez mais se apoderam daquilo que a todos pertence mas que atualmente é só de alguns, indevida e ilegalmente. A cerca de 80 por cento dos timorenses sobra somente a miséria. Que mau cristão.

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*Também publicado em PÁGINA GLOBAL

OS GENERAIS DA NATO, ESPANHA REVOLTADA E O PORTUGAL COBARDE




NUCLEAR? NÃO, OBRIGADO!

Desfiando a conversa da semana e dos acontecimentos que durante ela ocorreram comecemos pela NATO e os seus generais assassinos, até ao Portugal borreguista e cobarde. Pelo entre temas sobressai a valentia e o exercício da cidadania em defesa da verdadeira democracia em Espanha. Um outro tema estava para ser incluído, abordando a energia nuclear e o perigo que pode representar a eleição para primeiro-ministro de Passos Coelho, que juntamente com Cavaco Silva – um mini presidente da República – já há muito se denunciaram como apoiantes de uma central nuclear em Portugal. Não nos admiremos se, depois de eleito, Passos Coelho emparelhar com Cavaco Silva para que optemos por tão perigosa e devastadora fonte energética. Em caso de acidente com proporções médias veremos mais de metade de Portugal inabitável e impróprio para produzir ou até para simplesmente servir de lazer, para além das mortes e doenças inacabáveis. O trato desse assunto e do perigo que ambas as personalidades atómicas representam não foi aqui incluído por suscitar significativo aumento da prosa. Futuramente será abordado e razoavelmente documentado. Importa é não esquecer que aqueles amigos do nuclear são dois presunçosos desonestos que nem em campanhas eleitorais abordam o assunto de suas convicções. Entretanto pensemos seriamente no que poderá acontecer se aqueles desfrutarem em simultâneo do controle total dos poderes políticos. Irão pugnar pela construção de uma central nuclear em Portugal por questões economicistas sem tomarem em consideração que já na Europa se está a abandonar aquele perigosíssima fonte de energia. Miremos o Japão neste seu último acidente. Coisa que o liberalismo selvagem de Cavaco e de Passos Coelho minimizam. Preferindo olhar para as vantagens economicistas. Se existem todas as razões sensatas para dizermos NUCLEAR? NÃO, OBRIGADO! - também faz sentido agirmos de acordo com CAVACO – PASSOS COELHO? NÃO, OBRIGADO! Não fosse a cobardia e o nacional borreguismo e assim aconteceria. Assunto a abordar em breve.

NATO - GENERAIS ASSASSINOS

Podemos dizer que vai de vento em popa a matança de civis inocentes e inofensivos de qualquer idade ou sexo lá pelo Afeganistão, o mesmo podemos dizer sobre a matança de civis líbios e em outras partes do mundo onde a NATO, os EUA e os aliados – incluindo Portugal – se arrogam no direito e na impunidade de assassinar indiscriminadamente as populações que os generais assassinos apontem. Escusado será dizer que os militares robotizados, a bordo de seus tanques e aviões ou navios, obedecem cegamente, em cumplicidade absoluta, aos generais assassinos, que por sua vez vêm obedecendo aos políticos assassinos que obedecem às grandes corporações e complexos interesses económicos – que vão desde o petróleo à produção e compra-venda de armamento. “Negócios” em que os políticos debicam e lhes rendem milhões além de mordomias futuras.

A estes generais, políticos, empresários, corporações e demais associados dos crimes contra a humanidade - que envolvem a NATO e os exércitos das principais potências, EUA, Inglaterra, França, Alemanha, etc. – ninguém lhes imputa os crimes que praticam, que ordenam, que estudam e traçam estratégia ao pormenor. Aos crimes praticados classificam-no como danos colaterais… É esta a democracia e o humanismo dos EUA e da Europa. É onde cada vez mais assenta a selvajaria do chamado mundo ocidental, sem que na realidade os europeus ou os norte-americanos escorracem de uma vez por todas os políticos criminosos que têm eleito e que por esta hora já deviam estar a ser julgados num tribunal internacional por práticas de crimes contra a humanidade, a par de assassinos sérvios, de Kadafi e de tantos outros que servem de pretexto para os crimes da NATO.

A propósito, neste dia, como em tantos outros, é notícia que “Afeganistão: Pelo menos 14 civis morreram em ataque das forças da NATO”. Estes são aqueles de que vamos tendo conhecimento mas ninguém duvide de que as atrocidades e matança e em muito maior escala.

A REVOLUÇÃO EM ESPANHA E OS ARRUACEIROS DO FUTEBOL

Espanha está em efervescência. Quer verdadeira democracia. Quer controlar os políticos. Quer criminalizá-los e acabar de vez com as suas impunidades em roubos categóricos e evidentes ao considerarmos as suas fortunas após alguns anos de atividade política. O povo, principalmente a juventude espanhola, ocupa há duas semanas ruas e praças de Espanha em contestação aos políticos e políticas atuais. Conscientes das realidades, pacificamente, manifestam-se e gizam modos democráticos de pôr cobro aos esvair dos bens públicos para as contas bancárias de uns quantos criminosos a gozar de impunidades absolutas. São centenas de milhares por toda a Espanha, em praticamente todas as cidades, vilas e aldeias que manifestam e mostram apoio, solidariedade, com os protagonistas das maiores manifestações e resistências, em Madrid e em Barcelona.

Ontem, em Barcelona registou-se uma feroz tentativa do governo para desocupar a praça principal da cidade, onde muitos milhares decidiram acampar e protestar contra as atuais políticas e contra os atuais políticos e suas metodologias do engano. A repressão e violência sobre os jovens contestatários, levada a cabo pela polícia catalã às ordens dos governantes, foi vista por todo o mundo. Foi vista por todos os espanhóis. Em poucas horas Espanha saiu à rua protestando contra a polícia e suas acções em Barcelona, contra que desalojassem os jovens acampados na praça, e a favor dos protestos. Foi assim que vimos o recuo do governo, da polícia selvática, e o restabalecer da ocupação da praça em Barcelona. Assistiu-se ao apoio de pais, avós e amigos dos jovens, gentes de mais idade, que os foram apoiar na praça, pelas ruas, e até ajudá-los a reconstruírem tendas e outros equipamentos destruídos pelos mastins de polícia de choque, a que chamam “mossos”.

A acção do governo em Barcelona era o ensaio para depois desalojarem os jovens manifestantes em Madrid, nas Puertas del Sol. Não resultou. Foram às centenas de milhares que se multiplicaram os acampamentos por toda a Espanha. Multiplicaram-se aos milhares os espanhóis que disseram NÃO À REPRESSÃO e que exigiram VERDADEIRA DEMOCRACIA. Por esta hora o movimento organiza-se e cresce em todos os recantos do país. Pacificamente, democraticamente. Contra os que usam a palavra democracia falsamente com o objetivo de iludirem, vigarizarem e espoliarem os povos em proveito próprio e de seus cúmplices, familiares, amigos e associados.

Mas ontem em Barcelona a polícia, os “mossos”, acabaram por satisfazer as suas vontades de bater sem dó nem piedade, desta feita talvez com alguma razão. Foi contra os desordeiros e alienados do futebol. Antes, contra os manifestantes pacíficos, vimos quão cobardes e nojentos são determinados elementos das polícias… O que impressiona é que umas centenas ou milhares se deixem alienar tão gravosamente pelo futebol e sejam indiferentes aos interesses coletivos que garantam justiça, transparência e verdadeira democracia. Se acaso os “mossos” não malharam em excesso,foi pena as porradas que se perderam no chão e no ar, em legitima defesa física e da ordem democrática que a vasta maioria dos espanhóis desejam e por que combatem segurando a paz e a não violência.

PORTUGAL COBARDE, BORREGUISTA E ALIENADO

Em contraste com Espanha e seu povo sedento de verdadeira democracia, assistimos ao nacional borreguismo em Portugal. No Rossio, em Lisboa, três a quatro dezenas de jovens ocupam um pouco do espaço junto à estátua da principal e emblemática praça. Cartazes e mini-colóquios falam em VERDADEIRA DEMOCRACIA, a exemplo de Espanha e de outras partes da Europa. São trinta ou quarenta voluntariosos e valorosos jovens que ali estão há duas semanas, acampados e mal.

Pior que Espanha, Portugal encontra nos políticos nacionais os mais nojentos mentirosos e os maiores gatunos. Os incumpridores com fugas aos impostos devidos (caso de Cavaco Silva) e uso e abuso de outros métodos de “inteligências” em proveito próprio ou de associados, vão desde o presidente (mini, porque pouco votado) da República (dos borregos) até já nem sabemos quem, dos que se sentam nas várias cadeiras dos poderes. Mas nada. Os portugueses… NADA! Uns quantos até andam a borregar e a berrar pelas campanhas eleitorais com vista à eleição daqueles que mais não têm feito senão vigarizarem-nos. Roubarem-nos, incluindo a dignidade. A maioria esconde-se no “salve-se quem puder”. Outros vão exercendo “caridadezinhas” com um ou mais pacotes de arroz para o Banco Alimentar sem mais fazer. Sem se defenderem e solidarizarem-se com os poucos mas resistentes jovens que se mantêm no Rossio à espera que a cobardia nacional – legado salazarista – termine e dê lugar a um povo que saiba usar dos métodos democráticos e pacíficos para escorraçar as políticas e os políticos que nos conduziram ao atual descalabro nacional.

Em vez disso vimos os portugueses alienados e a voltarem a cair nos engodos dos desonestos que descaradamente ocupam todos os poderes – de Belém a São Bento e um pouco por todo o país. Alienados, levados e estupidamente enlevados em loas. “Levados, levados sim…” Como diz o hino. Levados, porque são cobardes e o que mais seja esta terrível “doença” tão nacional-borreguista que permite a continuação “ad eternum” da posse do poder a velhacos como os que andam sempre por aí pelo país e pela Europa, em nosso nome, a tirar proveitos indevidos na maior das impunidades.

*Também publicado em PÁGINA GLOBAL e em DEBATES CULTURAIS