segunda-feira, 16 de abril de 2012

Equipa de Lu Olo acusa apoiantes de Taur Matan Ruak de violarem regras de campanha




AV, em Página Global, 14 março 2012


A equipa do candidato número três, Francisco Guterres Lu Olo, apresentou uma queixa à Comissão Nacional de Eleições (CNE) por causa do comportamento dos apoiantes de Taur Matan Ruak.

“No passado dia 9 de Março, Taur Matan Ruak realizou campanha em Baucau. No entanto, os seus apoiantes utilizaram a bandeira da Fretilin, violando os artigos 5.° e 34.º dos regulamentos n° 03/STAE/X/2011”, informou Josefa Alvares Pereira Soares, coordenadora da equipa do candidato Lu Olo da região Baucau, na carta apresentada à CNE, no dia 10 de Março.

A carta acrescenta ainda que “o candidato Taur Matan Ruak tem a obrigação de informar os seus apoiantes de que só o próprio candidato Francisco Guterres Lu Olo é que poderá utilizar a bandeira da FRETILIN durante a sua campanha visto que este é um dos materiais de campanha segundo diz artigo 3, n° 3 do regulamento n° 03/STAE/X/2011”.

No fim da carta, é pedido à CNE que tome as medidas certas para que no futuro não se repitam situações semelhantes.

Opinião Página Global

Eventualmente o candidato Taur Matan Ruak está à margem destes procedimentos da pandilha Xanana-CNRT, caracterizados por “Contra a Fretilin mas querendo fazer-se passar por Fretilin”. Mas, mesmo estando à margem de tais irregularidades, desonestidades até – que já estão fartas de ocorrer - não se tem dado por que tivesse imposto regras básicas à pessoa e partido que o elegeu como candidato. Por isso e muito mais podemos perspetivar que o general Taur vai ser um pau mandado nas garras de Xanana-CNRT caso venha a ser eleito presidente da República de Timor-Leste? Sim, podemos. Infelizmente é aquilo que já se indicia. (Redação PG – AV)

Destaque

O GENERAL CANDIDATO E A ESCOLTA MILITAR EM CAMPANHA ELEITORAL TIMORENSE




*AV, em Página Global, 08 março 2012-04-16

O tempo é escasso mas a vontade de participar de forma útil sobre Timor-Leste é bastante… Direi que trago aqui uma opinião sobre a escolta militar do general Taur Matan Ruak… em plena campanha eleitoral. Não só é condenável à luz dos preceitos democráticos pelo custo como pela eventual intimidação que pode causar. Este facto surpreende por certo os que respeitam e estimam o general Taur e têm uma noção de democracia não musculada, independentemente de estarem ou não de acordo com a sua candidatura a presidente da República.

Os que não acreditam podem e devem fazer uma visita ao Timor Hau Nian Doben e logo confirmam o que acima está exposto. Em português podemos ler a tradução de Zizi Pedruco onde consta em dado passo do texto: “O secretário de Estado da Defesa, Júlio Tomás Pinto afirmou que o ex-comandante da Força da Defesa de Timor Leste (F-FDTL), Taur Matan Ruak, tem o direito de ser escoltado por policiais militares, como está estipulado por um decreto-lei.”

Ao que parece tudo porque o presidente da Comissão Nacional de Eleições, Faustino Cardoso, referiu e reprovou o facto de Taur Matan Ruak, candidato a PR, estar a usar “veículos públicos para a sua campanha” eleitoral…

No mínimo o que falta a Júlio Tomás Pinto é decoro. E ao general também. Poderá ter direito a tudo isso, à escolta e a isto e aquilo, até pode ter direito legal a que lhe lavem o rabinho com “bé manas”… (água morna). Mas se tiver decoro, durante um ato político como a campanha eleitoral, deve competir em igualdade de circunstâncias e arcar com a despesa de sua própria segurança como os outros candidatos. Para serem democráticos e honestos os candidatos devem competir sem que sejam os cofres do Estado a suportar despesas para além das previstas e inscritas no processo eleitoral. Imaginando que os escoltas vão fardados e em viaturas militares (é aquilo que se depreende do texto) existe ainda um fator de vantagem suportado pelos cofres da nação ou um fator de intimidação, conforme as cabeças e as sentenças dos que assistem aos comícios ou vêem passar a caravana de Taur Matan Ruak. Depende.

Surpreendidos com esta “nódoa” de Taur podemos, sem esforço, começar a torcer o nariz à presença de um militar no Palácio Presidencial. Quem tem mentalidade para aceitar estas circunstâncias numa campanha eleitoral… Já agora acrescentem uns arrufos de tambores, uma parada e uns toques de cornetim. É o que falta. Enfim, motivo de reservas é. Lamentável, não tanto pelo custo público mas mais pela atitude. E se a escolta está fardada… ainda pior em veículo militar identificado… O general saberá o que se passa? E aceita? Quem diria!

OH DE TIMOR-LESTE!




*AV, em Página Global, 04 março 2012

Nem sempre as ocupações do quotidiano têm permitido que contribua com a minha colaboração neste blogue ou noutros. A vida desenfreada online e na blogosfera está em pausa na parte que me toca. É doloroso mas é como tem de ser pelo facto de o dia só ter 24 horas e pelo menos 6 horas se destinarem a dormir, a carregar baterias para mais um dia, mais uma viagem neste país de treta, com uns políticos de treta e um povo a pastar em ervas sequérrimas devido à seca climática que assola Portugal. Ainda o descarado do Passos Coelho, o maior aldrabão que vi na política portuguesa, não se lembrou de esclarecer que se o povo tem fome é por causa da seca e não por causa da austeridade imposta com recheios de injustiças descomunais.

Prosseguindo, porque não posso nem devo ser longo, hoje é dia de fazer o gosto ao dedo e nem pestanejei quando me decidi a martelar neste velho teclado de minha preferência porque os modernos são uns pãozinhos sem sal que nem barulho fazem... E vou direitinho a Timor-Leste sem mais pôr na escrita.

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

São 13 candidatos, alguns sedentos de fazerem currículo e a aproveitarem a oportunidade. Nem deixo aqui opinião sobre isso, a não ser que o ato (eleições) é por si só desmesuradamente importante para ter folclore nas ilhargas. Evidentemente que cada um por si faz o que a lei permite e se consideram por bem candidatar-se pois que façam o que fizeram: candidataram-se. Os 10 mil dólares de subsidio pago pelos timorenses, até pela fome de uns quantos timorenses, já lá cantam na conta bancária? Pois agora apresentem as contas certinhas porque de golpadas estão os timorenses fartos.

De tantos candidatos há afinal quatro que fazem sentido terem avançado e exposto aos timorenses eleitores as suas candidaturas. São eles, como devem adivinhar, Lu Olo, Taur Matan Ruak, Ramos Horta e Lasama Araújo. Pode ser que me engane mas tenho a mania de que percebo um pouco destas coisas e também que deixei parte do meu cordão umbilical lá em Timor-Leste. Talvez tenha sido num acidente em que fui por uma ribanceira abaixo a fazer companhia ao Unimog...

Destes candidatos, ao contrário do que aqui está em pobrezita sondagem na barra lateral deste blogue, tenho hoje a percepção de que quem vai vencer logo na primeira volta será Taur Matan Ruak. Se assim não for vencerá na segunda volta em disputa com Lu Olo. Assunto arrumado. Esta é a minha opinião depois de hoje já ter dispensado cerca de duas horas atento ao que se passa e se tem passado em Timor-Leste e também a dar alguns dedos de conversa a quem está mais bem inteirado sobre o que se passa no país.

Sobre a campanha eleitoral e como tem decorrido... Tem havido "falhas", falta de decoro, de vergonha, de memória. Foi referenciado que há apoiantes de Taur Matan Ruak integrados na sua caravana com bandeiras da Fretilin. É sabido que a Fretilin tem candidato próprio, Lu Olo, e que não apoia o candidato Taur. Quem apoia Taur é o CNRT de Xanana Gusmão. A todos os títulos é condenável que Taur Matan Ruak se exponha a tamanha ação de ludibrio para cativar votos dos que correm o risco de votar Taur por julgarem que ele é candidato da Fretilin. O método é da "família" do mais que trapaceiro Xanana Gusmão, principalmente de uns quantos certos e incertos que o rodeiam. Será Taur que deverá por os pontos nos iis quanto aos comportamentos errados dos apoiantes que com ele se deslocam na caravana que percorre o país. Vai ter que ser bem claro a resolver este e outros "golpes sujos" que venham da parte dos do CNRT. Agora que se envolveu com eles e com o recheio abandidado daquele partido, que o apoia e de quem é candidato, só lhe resta exigir-lhes transparência e honestidade em relação à sua candidatura - o que lhes deve ser difícil por serem adeptos das falcatruas, como se tem visto ao longo destes últimos anos.

Não está a Fretilin isenta de maus comportamentos nestes poucos dias de campanha eleitoral. Podemos ver em vídeo que numa passagem da caravana de Taur por um magote de apoiantes da Fretilin e de Lu Olo, numa rua de Dili, "a coisa" só não aqueceu porque entretanto a polícia tomou conta da situação. Ora, como mandam as regras da sã convivência democrática, quem vai vai e quem está está. Quero dizer: uns apupos umas palavras de ordem à disputa entre uns e outros partidários tudo bem, até é colorido e sonoro, saudável. Procurar confronto físico, dificultar a passagem, introduzirem-se na caravana - como me pareceu ver... Lamentável e muito reprovável. Não importa o que os outros possam ter feito ou dito. Importa que ainda não vi nenhuma besta humana dar um coice num kuda (cavalo) porque levou um coice do dito. Sabedoria e memória das desgraças que estas "coisas", estas atitudes de picardia, já provocaram no passado devem estar sempre presentes para que não se repitam os erros, para que não regresse a destruição, as perseguições, os feridos e os mortos.

AGÊNCIA LUSA E SAPO TL

Quem diria. Esta prosa já vai longa que se farta... O costume. Desculpem. Até porque, se bem repararam na imagem o meu propósito era (e é) abordar o trabalho da Lusa e do Sapo TL. É que se estamos por cá atentos às trampas que fazem e os zurzimos com alguma razão também devemos estar atentos ao que fazem de positivo. Afinal, no caso da Lusa, tem profissionais de nomeada que restrições (CENSURA) impostas não os deixam trabalhar como sabem e querem. Depois, por vezes, por isso ou azelhice, sai borrada.

Mas não, nada disso está a acontecer neste período eleitoral relativamente a Timor-Leste. Podemos dizer, até agora, tudo de bom.Têm procurado ser isentos, sem vícios de obediências às conveniencias dos poderes timorenses que acabam por regular muita coisa, até em Portugal através de lobies, amizades, etc. A senhora Kirsty - lá vem ela à baila - é muito boa nisso. Expedita. Por isso lhe fica bem a fama de agente secreta que carrega há tantos anos... Fama. Pena não verem o meu sorriso, nem eu os vossos.

Pronto. Terminando. Muito obrigado Sapo TL (mais um pouco de cuidado com o português), muito obrigado profissionais da Lusa que nos têm trazido a Portugal as eleições em Timor-Leste, os seus candidatos. Se fizerem aleatoriamente um pouco de reportagem a interpelarem timorenses fora das caravanas, com o tema eleições presidenciais, o vosso trabalho ficará mais "asseado" e por cá, pelo mundo lusófono e outros, a nossa percepção do que está a acontecer em Timor-Leste neste aspeto será muito mais clarividente. A voz ao povinho, senhores.

Obrigado, se conseguirem ler isto tudo... Credo! Já agora, se discordarem de mim podem fazer o favor de me descompor... Porque é muito bom eu sentir-me vivo sobre o meu Timor-Leste.

Oh de Timor-Leste! Nada de violências! Boa campanha eleitoral. Menos roubos ao povinho. Paz, sorriam sempre. Saúde!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Portugal: Passos Coelho acredita que portugueses vão fazer férias


Parque de campismo de Belém - Presidência da República

Diário de Notícias - Lusa (com opinião de AV, em PG, em 03 de março de 2012)

Primeiro-ministro pensa que portugueses não deixarão de fazer férias de verão; terão de as fazer, isso sim, com menos recursos.

Pedro Passos Coelho disse ontem esperar que os portugueses façam uma boa gestão de recursos e possam ir de férias, durante uma visita à Bolsa de Turismo de Lisboa em que brincou com os acontecimentos do último carnaval.

Sem nunca fazer formalmente declarações à comunicação social, Passos Coelho visitou sexta-feira à noite durante quase duas horas a Bolsa de Turismo de Lisboa, no Parque das Nações, acompanhado pela secretária de Estado do Turismo, Cecília Meireles.

Durante a visita, o primeiro-ministro acedeu a pedidos para tirar fotografias e recebeu cumprimentos de várias pessoas, mas também ouviu comentários negativos e foi confrontado por uma professora do ensino público que se queixou dos cortes no seu salário.

Depois de ter provado um sumos de frutas, um vinho da região do Douro, morcela e presunto, Passos Coelho aceitou fazer um brinde com champanhe, mas pediu que lhe servissem pouca quantidade, o que não aconteceu.

"Está a ver? Foi como no carnaval, ninguém me ligou. Está a ver? Olhe, quase meio copo", comentou o primeiro-ministro para o presidente da Associação Industrial Portuguesa, Jorge Rocha de Matos, que também o acompanhou nesta visita.

Antes, Passos Coelho visitou o "stand" da Madeira, onde elogiou a ilha, comparando-a a "um jardim". Questionado se iria ao Funchal para a festa das flores, em abril, declarou: "Talvez vá. Não tenho nada programado".

Uma jornalista aproveitou esta ocasião para lhe perguntar se pensa que os portugueses vão conseguir tirar férias este ano. "Então a senhora acha que o Governo ia decretar que não houvesse férias?", reagiu Passos Coelho.

Interrogado sobre como é que os portugueses irão fazer férias, com que dinheiro, respondeu: "Fazendo uma boa aplicação dos recursos que têm, como é evidente. Quando há menos, tem de se gastar menos, quando há mais tem de se pensar em ficar com algum de lado para os tempos em que há menos. É isso que eu espero que os portugueses também possam fazer".

Mais à frente, a comunicação social tentou interrogá-lo sobre a decisão da Comissão Europeia relativa à introdução de portagens nas autoestradas sem custos para o utilizador (SCUT), mas Passos Coelho replicou que nada tinha a dizer pois acabara de ser informado sobre o assunto.

No final desta visita, em que defendeu que Portugal tem de se "abrir mais ao exterior" e que "o grande contributo para o turismo deve vir de fora", o primeiro-ministro foi abordado por uma professora do ensino público de Famalicão, colocada em Cascais.

"O meu ordenado mal chega para eu estar cá", queixou-se a mulher, que disse ter um salário base de 1040 euros e considerou que os cortes salariais no setor público foram aplicados sem se ter em conta "as realidades em que se está a cortar".

Passos Coelho contrapôs que "foi isso que se fez" e que os cortes foram "progressivos" e afirmou saber "que é difícil" aceitá-los, mas a professora insistiu que o Governo "foi injusto".

"Posso dar-lhe uma resposta sobre isso? É muito injusto chegar à situação a que se chegou e ter uma dívida tão grande. Isso é injusto. E agora tem de ser corrigido", acrescentou o primeiro-ministro.

Opinião Página Global

A falta de noção do país real que muitas vezes os políticos demonstram permite que façam declarações imbecis e ofensivas para a maioria dos que já não usam pratos e talheres mas sim uma carcaça e uma ou duas salsilhas por refeição. Só pela falta de noção da realidade é que Passos se convence acerca das férias (com menos recursos) que os portugueses vão gozar. Ele ignora umas quantas coisas essenciais e pretende ignorar outras que nem por isso deixam de pertencer à triste realidade portuguesa: a maioria dos portugueses não vai ter possibilidades de gozar férias como as que Passos e o seu bando de mentirosos gozará, nem uns milimetros de parecenças.

A maioria dos portugueses quase nunca goza férias, já assim era e agora ainda mais se alargará o número dos que entram nesse “clube”. A não ser que Passos se esteja a referir a "férias" compulsivas de mais de 20 por cento da população ativa que está desempregada e que é perto de um milhão, mais os que são trabalhadores temporários, precários e outros malfadados, que são cerca de outro milhão e tal. O que dá por volta de mais de dois milhões de miseráveis que não gozam férias mas que deviam de ir acampar para as imediações de São Bento e de Belém – residências dos que nos infligem a austeridade para lucro de uns poucos.

Com esta iniciativa de férias Passos veria in loco os portugueses a "gozarem" férias de barrigas vazias e a roncarem tanto que talvez fizessem com que o PM e o seu bando caíssem na realidade. Vissem a miséria que as suas políticas têm provocado e vão continuar a provocar. Um tarja: “Faça férias em São Bento e em Belém, ou ainda no Terreiro do Paço (junto aos ministérios), seja patriota.”

Passem "férias", acampem. Que se juntem os jovens, os desempregados e esfomeados deste país nesses imensos parques de campismo tendo por companhia os mais altos (ir)responsáveis da nação lusa nas suas cómodas instalações pagas por todos nós. (AV – Redação PG)

CAVACO SILVA REGRESSA MANSO E DE “PANTUFAS” MAS EM NADA MUDOU




(Opinião AV em PG, 29 de fevereiro de 2012)

MALDITO “KARMA”, O DOS PORTUGUESES

Cavaco regressa de pantufas novamente, depois das “gafes” e de mostrar quem é na realidade. Usa a mesma técnica que usava quando era primeiro-ministro – um período caladinho, um período de nojo - depois de se descair e de mostrar como é e quem é. Sem deixar lugar a dúvidas de que se lhe fosse possível fazia todo o povo português passar as passas do Algarve com a teoria salazarista do “pobrezinho mas honrado”, enquanto ele e os de sua pandilha enchem os alforges.

Antes, os portugueses iam deitando para trás as afrontas, os absolutismos, as prepotências possíveis – até no desprezo com que brindava os jornalistas nas respostas que dava. Então era primeiro-ministro – também ele com responsabilidades no depauperamento deste país. Agora PR, assobiando para o lado e fazendo de conta que nada tem que ver com os erros que também cometeu, é o mesmo mas muito mais manhoso.

É título de hoje que “Cavaco Silva considera "impossível impor mais austeridade" aos "novos pobres” . E que o Governo tem de "olhar às pessoas", diz Cavaco Silva. Pretenderá este sujeito que esqueçamos que foi ele mesmo, na qualidade de presidente da República, que se constituiu cúmplice dos causadores da miséria em que tantos portugueses mal sobrevivem? Que esqueçamos que nem pestanejou, nem teve dúvidas sobre a constitucionalidade destas medidas de austeridade que nos sufocam, que não são justas, provavelmente inconstitucionais, que não são equitativas, que permitem aos muito ricos ficarem ainda muito mais ricos e aos pobres passarem a ser mais pobres – aumentando a cada dia o empobrecimento de muitos, a que ele agora chama “novos pobres" fazendo que se preocupa? Dito o que disse e revelada a sua hipocrisia do costume só não sabe quem não quer que o que Cavaco merece de todos nós, os espoliados e empobrecidos, é um grande manguito. Basta de hipocrisia!

Dá para futurar que uma vez mais os portugueses vão deixar branquear os comportamentos inadmissíveis deste sujeito que sustentamos opiparamente em Belém enquanto em nossas casas quase não temos comer ou não temos mesmo. Ou já nem temos casa. A técnica está em marcha e assim, hoje, como antes, vai resultar. Não mais se falará da ganância revelada por Cavaco e do desprezo pelos tais “novos pobres” e antigos quando afirmou descaradamente que com as suas reformas não ganhava para as suas despesas. Nem da sua cobardia ao temer uns miúdos que o esperavam na esperança de lhe lançar (não o fariam) uns ovos em visita presidencial à escola António Arroio. Vai-se passar para outra página fechada atitudes de arrogância do sujeito, o Sabe Tudo em números – e que por isso não vê as pessoas a não ser quando lhe convém, para se “lavajar” das bodegas anteriores onde suja a sua imagem com aquilo que na realidade representa: o pior presidente da República de Portugal na era pós 25 de Abril de 1974, em suposta democracia. Aliás, Cavaco não se mostra nada à vontade em democracia. É aquilo que demonstra com determinadas posturas que assume.

QUE ACONTECEU À PETIÇÃO?

Cerca de 40 mil cidadãos portugueses subscreveram em curtíssimo prazo uma petição para que Cavaco se demitisse, mas disso não mais se falou. Porquê? Saberá o promotor da petição que as dezenas de milhares que a subscreveram foram enganadas se acaso a mesma não teve seguimento? O que se passou? O que se passa? Até parece que foi uma brincadeira de crianças. Mas não. Ou foram os homens do presidente ou de outra área congénere que demoveram o promotor da petição de cumprir o que estava estabelecido? De certeza que há dezenas de milhar a querer saber o que se passou. É que certamente que as pessoas não participaram por brincadeira. Saberemos algum dia se a petição chegou ao seu destino? Terá também sido enviada a Cavaco para seu conhecimento?

Cavaco, o pior. Vamos ter de o gramar até ao final do mandato? Pois vamos. Cavaco, o pior PR. Maldito “karma”, o dos portugueses.

Portugal: Passos culpa Sócrates por "dose de austeridade maior




Económico com Lusa (com opinião AV - PG, em 29 de fevereiro de 2012) 

Passos Coelho diz que o País estava numa situação "muito pior" do que dizia o Governo socialista.

O primeiro-ministro afirmou na terça-feira à noite que o Governo foi obrigado a aplicar mais medidas de austeridade para atingir os objetivos do défice para 2012 porque a situação era pior do que dizia o anterior Executivo.

"Nós não dissemos que queríamos fazer baixar o défice mais depressa e que, por isso, íamos aplicar uma dose de austeridade maior, para conseguirmos eliminar esse problema profundo. Não, nós precisámos de ir mais além para chegarmos aos mesmos objectivos", disse Pedro Passos Coelho em Setúbal.

Segundo Passos Coelho, só há "uma leitura" para o sucedido: "Se precisámos de ir mais além para chegar aos mesmos objectivos, é porque o nosso ponto de partida não era aquele que nos tinha sido comunicado pelo anterior Governo. Era muito pior".

O chefe do Governo falava a cerca de duas centenas de militantes social-democratas, numa reunião partidária da Assembleia Distrital de Setúbal do PSD

Satisfeito com a avaliação positiva do programa de ajustamento da economia portuguesa feita pela "troika" constituída pelo FMI (Fundo Monetário internacional), BCE (Banco Central Europeu) e Comissão Europeia, o presidente do PSD reconheceu, no entanto, que o país continua em "situação de emergência".

"Quando o PSD ganhou as eleições e formou Governo com o CDS/PP, nós estávamos numa verdadeira situação de emergência nacional. Estávamos e estamos", acrescentou Pedro Passos Coelho, reconhecendo que "há muito trabalho por fazer, apesar das reformas estruturais já efectuadas, ou que estão em curso".

Passos Coelho referiu, entre outros exemplos, as privatizações da EDP e da REN, a nova lei da concorrência, a nova lei das falências, o novo sistema de arbitragens, a reforma do sistema judicial e as leis laborais e do arrendamento, que vão permitir uma maior mobilidade interna.

Numa intervenção em que fez um historial do percurso realizado desde que assumiu a liderança do partido, terminou com uma mensagem de esperança para os portugueses.

"Espero que os próximos anos sejam anos de que não nos venhamos a esquecer tão cedo, por podermos alcançar um patamar que não alcançámos durante muitos anos", disse.

"A 'história' que estamos hoje a fazer teria sido evitada se durante os últimos anos Portugal tivesse feito as reformas e não se tivesse endividado ao ritmo que se endividou. Mas ainda vamos a tempo de fazer um país diferente, mais democrático e mais justo para todos", concluiu o líder do PSD.

Opinião Página Global

Até nesta Passos falta à palavra dada em altura de eleições: “Não me desculparei com os erros do governo anterior”. Talvez não tenham sido estas as palavras exatas mas foi o que quis dizer e aquilo que foi entendido pelos que o escutaram.

Dando de barato que nem disse isso, porque cita unicamente como relevante os erros de Sócrates (que nos tramou a todos, e de que maneira), será pertinente fazer recordar a Passos que Cavaco Silva tem também muito que ver com a nossa desgraça atual, quando foi primeiro-ministro por um pouco mais de dez anos e destruiu o aparelho produtivo, a agricultura, as pescas… Investindo o dinheiro vindo de Bruxelas em alcatrão e betão, e o que mais sabemos e Passos sabe isso muito bem. Mas não, saiu na “rifa” Sócrates – o que é verdade mas sõ uma ínfima parte de verdade porque além de responsáveis do Partido Socialista que se governaram dizendo-se a governarem-nos também responsáveis do PSD e do CDS (Passos-Portas) fizeram o mesmo e contribuíram para más governações e para o estado depauperado de Portugal.

Além disso podemos registar igualmente as mordomias dos políticos parasitas que se reformaram ao fim de dois mandatos na Assembleia da República (9 anos). Agora é ao fim de três mandatos (12 anos), quando para os cidadãos normais, os que realmente produzem riqueza e são abertamente explorados, são mais de 20 anos ou quando já estão com os pés para a cova (65 anos de idade e mais). Abusivas, imorais, escandalosas reformas, mordomias, subvenções, e etc., que os parasitas dos partidos políticos nos poderes e suas clientelas têm roubado ao país não terão nada que ver com o estado de miséria a que somos chegados em Portugal? Mas os descaramentos, os abusos e os roubos continuam e a isso Passos nada faz. E a corrupção… Estamos a ser governados e representados na AR por bandos de crápulas. É sentimento geral dos portugueses, que o sabem bem mas aquiescem, até um dia. O dia da verdade e do escorraço desta corja vai chegar. Os portugueses são excessivamente pacientes e pacíficos… enquanto não lhes chega a mostarda ao nariz. O futuro voltará a demonstrar isso mesmo. (Redação PG-AV)


Cavaco recusa esclarecer casos António Arroio e pensões de reforma




Sara Dias Oliveira – Público (com opinião de AV, em PG, em 25 de Fevereiro de 2012)

Cavaco recusou dar explicações sobre o cancelamento à escola António Arroio. Também não revelou quanto vai receber de reforma do Banco de Portugal.

O Presidente da República, Cavaco Silva, continua sem explicar qual o “impedimento” que o impossibilitou de realizar a visita à escola artística António Arroio, em Lisboa, há precisamente uma semana. Recusou ainda dizer se já sabe quanto é que vai receber de reforma do Banco de Portugal.

Questionado sobre o assunto, ao final da manhã, no arranque do V Roteiro para a Juventude que iniciou no Norte do país, não esclareceu qual a razão que o impediu de visitar a escola que tinha à sua espera uma manifestação de alunos.

Cavaco Silva fala num impedimento de última hora, que não especifica, e faz questão de relembrar o seu percurso político, quase a justificar que não foi a manifestação dos estudantes o motivo pelo qual desmarcou o encontro.

“Quero lembrar que fui primeiro-ministro 10 anos, que no próximo dia 9 vou já completar seis anos de Presidente da República, que disputei múltiplas eleições – até ganhei quatro com mais de 50 por cento, de que muito me honro", recordou. "E, portanto, tenho uma experiência muito acumulada ao longo de todos estes anos em todas as situações e em todos os domínios e até para detectar aqueles sectores que podem contribuir para resolver o principal problema que temos neste momento, que é o problema do crescimento económico, do desemprego”.

No início da sua resposta, o Presidente da República garante que a direcção da António Arroio foi informada desse “impedimento”. “O meu gabinete, no dia próprio, teve o cuidado de informar a direcção da escola de que o impedimento de última hora me impediu de concretizar a visita”.

Questionado pelos jornalistas se já sabe quando é que vai receber de reforma do Banco de Portugal, depois de há algumas semanas ter dito que as pensões mal lhe chegam para as despesas, Cavaco Silva limitou-se a responder: “Neste momento entendo que não devo contribuir de forma nenhuma para aumentar polémicas ou desinformações.”

Opinião Página Global

Cavaco Silva recusa esclarecer os casos supra citados porque sempre assim aconteceu quando era primeiro-ministro (por mais de 10 anos) e daí ter merecido a alcunha do Tabu Silva. É evidente que o sujeito se revelou um Piegas e alguém que adula o seu umbigo. Esta das “suas” (dele) reformas, que vão aos cerca de13 mil euros e não aos 10 mil como se diz. Já tinha sido ensaiada por ele de outro modo durante a última campanha eleitoral quando uma senhora de idade do povinho lhe disse que as reformas eram de miséria e que ela recebia pouco mais de 200 euros e que trabalhara durante mais de 50 anos. Cavaco respondeu-lhe referindo a injustiça que também lhe caía em cima sobre isso das reformas, dizendo, talvez a título de consolo (parvo!), à idosa do povinho que a sua mulher sempre trabalhara imenso e recebia de reforma à volta de 700 euros, e trabalhara quase 40 anos, dizendo que era pouco, injusto. E por ali ficou. Ele, sempre ele e os seus. Nem que existisse comparação. Evidentemente que não puxou à conversa sobre as reformas que recebe de sua parte... Hipocrisia e enviezamento presidencial quanto baste.

A idosa do povinho trabalhara mais anos que a dona Maria Silva e recebia menos de um terço da reforma da dita primeira-dama presidencial. Só faltou a velhota do povinho lhe dar uma esmola com a peninha que Cavaco tentou suscitar. Ora se a mulher de Cavaco era por ele considerada uma injustiçada relativamente à reforma o que se pode dizer sobre aquela idosa do povinho e dos outros idosos do povinho que trabalharam desde crianças, durante 50 anos e mais e que recebem pouco mais de 100 euros, alguns duzentos, e muitos, mas mesmo muitos, 300 e poucos euros. Se isto é postura de PR… Vamos ali e já voltamos porque este sujeito se fosse minimamente dotado do sentimento vergonha já se teria demitido, ou, então, no mínimo, tinha corrigido a sua postura.

Mas não, em vez disso ele Toca e Foge. Faz Tabus. Perguntam-lhe uma coisa e ele puxa dos “galões” com o seu historial com os governos do betão e do alcatrão mais as negociatas que por aí se falam. E é isto um PR que tem pela frente mais 4 anos de mandato… Haja pachorra, porque ele está ali de pedra e cal.

Sobre o que não especificou relativamente ao cancelamento da visita à escola António Arroio. Diga Cavaco o que disser para encobrir as verdadeiras razões ficámos a saber que se acobardou perante uns miúdos e miúdas que somente iam manifestar-se contra o péssimo estado da escola e da bagunça que vai no Ministério da Educação. Convencido que é da sua superioridade – “nunca me engano e raramente tenho dúvidas” – Cavaco Silva não vai corrigir nada. Com o passar dos anos ainda será pior porque (como reza o adágio) burro velho não aprende… Só teima sempre no mesmo.

Redação - António Veríssimo


Destaques

UM SALTO DO QUASE NADA PARA O MANOEL DE OLIVEIRA



Os tempos estão muito exigentes por via das políticas regressivas no todo do sistema em que o mundo ocidental teima em viver - sobreviver será o termo mais correto. Daí não a impossibilidade de não conseguir ser tão assíduo na contribuição para este blogue. Mas lá vamos, devarinho, alimentando algo que até sem ter importância sempre estabelece um elo comunicacional que prezo, julgo que poderei afirmar com propriedade que prezamos. Eu e os poucos mas de boa vontade que por aqui passam.

Hoje vai ser dia de acrescentar mais algumas postagens repescadas do Página Global, onde colaboro e onde escrevi isto ou aqueloutro de variados temas. Uns leram, outros não. Francamente, a minha memória já está tão gasta que por vezes nem eu me lembro de prosas que escrevi. Pode ser que alguém de vós se encontre na mesma situação. E assim quase que é prosa nova. Sorriam, não pateiem, nem apupem. A não ser que tenham mesmo muita vontade disso. A liberdade de expressão em primeiro lugar.

Agora por apupos e pateadas. Sabiam que o realizador Manoel de Oliveira, reconhecido e laureado nacional e internacionalmente, foi pateado e apupado quando apresentou o seu primeiro filme de maior vulto num cinema de Lisboa?

É verdade. Foi no cinema Eden, na Praça dos Restauradores da Independência (Portugal esteve ocupado pela Espanha), em Lisboa. Manoel apresentou o documentário "Douro Faina Fluvial", nos anos 30, estava presente na sala... E ouviu a maior pateada "do mundo" - segundo ele - assobios e apupos que "se tivesse um buraco para se enfiar nem pensava duas vezes e atirava-me para lá" - disse ele. E agora é vê-lo. Incompreendido por muitos e valorizado por uns quantos. Não tem uma obra fácil, é verdade. Mas permitam que use um termo que creio ter sido o único a usar sobre Manoel: ele pinta no celulóide. Predisponham-se a apreciar as obras de Manuel, deixem-se envolver no tempo duradoiro e "chato" dos quadros que pinta no celulóide, e decerto que deixam de dizer que aquilo "é uma pasmaceira", aquilo "é muita areia para a minha camioneta". Na realidade Manoel é um mestre do cinema português. Um artista nascido em 1908 que ainda pinta no celulóide e é reconhecido como um grande vulto do cinema.

Credo! Vejam lá onde a prosa foi parar!

Mas eu não tenho nada que ver com o Manoel, hem. Nem na prosa, nem na idade... Nem em nada. Guardo a recordação de ele agradavelmente me pôr sempre doente, esgotado, sem querer por que... A mim e a muitos outros. Isso são outras histórias, que um dia talvez saltem para aqui. Longa vida ao Manoel e um grande obrigado!

Importante, ou talvez não. Hoje é dia de atualizar mais um pouco o Página Lusófona. Tenham paciência que nas próximas horas este título já não é cabeçalho.

sábado, 7 de abril de 2012

TAUR MATAN RUAK É O CANDIDATO DE XANANA GUSMÃO-CNRT, PONTO FINAL!




Xanana Gusmão, Taur Matan Ruak e o CNRT estão a pretender tapar o sol com uma peneira apesar de saberem que isso não vai resultar. Taur Matan Ruak é o candidato de Xanana Gusmão-CNRT e assim começou a ser desenhado há cerca de dois anos, pelo menos. O próprio general Taur foi propalando desde então que se ia candidatar a ser presidente da república. Porque razão não agem com transparência e assumem-se?

Se este governo AMP de Xanana Gusmão tivesse governado em prol dos interesses da maioria dos timorenses em geral com especial atenção aos mais carenciados, se ao longo destes quase cinco anos de governação o PM Xanana Gusmão tivesse sido transparente e não acobertasse no seu governo suspeições de corrupção e corruptos, se não os apoiasse com a sua proteção “áurea”, se fosse ele próprio o mais exigente em termos de justiça social a par da exigência de independência do setor da justiça, entre outras vertentes, obviamente que agora Taur Matan Ruak, candidato à presidência da república e presumível vencedor, não estaria com tantas resistências a admitir que Xanana Gusmão e o seu partido político, o CNRT, foram, são, os mentores da sua candidatura e seus absolutos apoiantes que teimam esconder-se nas sombras. Inutilmente, mas por enquanto a prática é essa. Digamos que é um tabu que vai cair redondamente quando assim tiverem de o assumir. O receio de fazerem questão em manter este tabu deve~se ao péssimo primado da governação de Xanana Gusmão e é a isso que o general Taur não quer estar associado, com toda a razão. Mas então devia de ter sabido separar as águas logo que foi abordado por Xanana Gusmão e “notáveis” do CNRT, declarando-se realmente independente, rejeitando todo o tipo de apoios partidários. Isso é que é ser independente. Isso é o que se esperava do candidato Taur Matan Ruak. Não esta constante negação do que é evidente.

Taur Matan Ruak é um timorense sem mácula. Não precisava absolutamente nada de Xanana Gusmão, que acusam de estar envolvido em tantas questões pardacentas ocorridas nos últimos anos – 11 de Fevereiro de 2008 e corrupções, conluios e nepotismos. Fará o general auto-demitido como melhor entender mas decerto que não ignora que do modo como está a ser apoiado na sua candidatura vai ter de engolir muitos “sapos” e até “elefantes”, vai ter de elogiar quem não merece, antes pelo contrário. Isso mesmo podemos ver em declarações que lhe atribuem em artigo divulgado ontem pela PNN “Na reunião, Taur Matan Ruak saudou a contribuição de Xanana Gusmão, Presidente do partido, devido ao carácter independente e de desenvolvimento que o país está a atravessar na luta pela liberdade.” Pergunta-se: que independência, que desenvolvimento? E a fome? E as injustiças? E a corrupção? E os criminosos que andam à solta sem temerem exibirem vidas de luxo sem que os seus rendimentos oficiais tal permitam? Tudo isso existe e muito mais. Em inúmeras circunstâncias fomentado e permitido por esse tal Xanana Gusmão tão ao gosto do candidato Taur Matan Ruak, aparentemente.

Tão ao gosto de Taur não será… Mas vai ter de aparentar exatamente isso. Já começou e muito mais vai ter de engolir. Para além de depois, nas eleições a seguir às presidenciais, para o parlamento, estar a reforçar a vitória de Xanana Gusmão e do CNRT - que querem vencer com uma maioria para mais descalabro de Timor-Leste. Se tal acontecer, nisso, Taur Matan Ruak será cúmplice. Depois não digam que não houve quem avisasse. Depois não se lamentem com as tais desilusões semelhantes às que Xanana Gusmão tem vindo a proporcionar.

Taur Matan Ruak é o candidato presidencial de Xanana Gusmão-CNRT, porquê continuarem a pretender ocultar o que há muito é evidente? Taur dispôs-se a personificar o balão de oxigénio de que carece Xanana para prosseguir no topo dos destinos e poderes (absolutos?) de Timor-Leste. Sem Taur, Xanana Gusmão, após as duas eleições, ia limitar-se a ser pouco mais que dirigente de um partido político com assentos no parlamento… Concluindo: é Xanana que precisa de Taur e não o inverso.

Nota da redação: Esta é uma reposição de artigo por nós publicado com data acima indicada, cremos que a mais recente. Página Global irá proceder a reposição de outros textos, deste autor e de outros, em que se apontava Taur Matan Ruak como candidato presidencial de Xanana Gusmão para que não subsistam dúvidas de que o agora candidato presidencial Taur veio ocultando e mentindo aos timorenses sobre o que foi tecido nos bastidores desde há dois anos, pelo menos, sobre o acordo assumido pelo então general Taur e o PM Xanana Gusmão. Não deixa de ser sintomático e curioso, constituindo um convite à imaginação, que só depois do atentado à vida de Ramos Horta Taur tenha começado a ser "tentado por correios" e por Xanana a percorrer o caminho emparelhado com os desejos de Xanana e do seu séquito. Contamos proceder à reposição de mais artigos alusivos ao tema.

Publicado em Página Global - Reposição de artigo de 20 de Janeiro de 2012

BANDO DE MENTIROSOS TAMBÉM É BANDO DOS VAIADOS




DE VAIA EM VAIA, ATÉ À VAIA FINAL?

Temos visto o impensável, o triste espetáculo de chuvas de vaias aos governantes e ao presidente da República. A espontaneidade das populações portuguesas que assim reagem não permite que haja quem argumente serem ações orquestradas por esta ou aquela força partidária. O que vimos são portugueses esfomeados ou a caminho disso bastante indignados, revoltados, a contestar as ações injustas, esclavagistas e desumanas do governo de Passos Coelho, com o aval de Cavaco Silva.

A semana que passou conta com dois incidentes bastante significativos. Cavaco fugiu cobardemente ao confronto não comparecendo numa escola de Lisboa porque temeu ser vaiado. Fugiu ao confronto democrático de o reprovarem na expressão pacífica da vaia. Cavaco deixou bem claro que antes de ser presidente da República não é mais que um cobarde que se quer conservar numa redoma de vidro, olhar-se ao espelho à espera que ele lhe devolva a imagem de que estava convencido que era: um quase infalível que “nunca se engana e raramente tem dúvidas” – como disse, ou o inverso. Este sujeito sempre teve aversão a expor-se a críticas, é a leitura possível. O que se deve perguntar é porque razão se envolveu tão profundamente na política e porque fez dela o seu maná. Porque razão, já no inverno da vida, ainda insistiu em (conseguindo) chegar à presidência. Se assim foi tal deve-se certamente a uma ambição que possuía. Ora isso é incompatível com a possibilidade de não se expor. Cavaco não pode pretender que faça chuva no nabal e ao mesmo tempo sol na eira. Em tudo existe verso e reverso e se aquele que está na presidência de Portugal não o merece por via do seu mau desempenho é certo e sabido que está sujeito a ser vaiado. Uma expressão pacifica do povo em país democrático. Ele só tem de aceitar e meditar naquilo que tem errado, corrigindo com sinceridade, não com novos tabus, com falsidades e atitudes de débito democrático, como tem revelado. Se acaso tem a consciência pesada, que se demita. Se não está para se sujeitar ao escrutínio do povo que sofre, que se demita. Se acaso acabou por descobrir que afinal o exercício da política e o seu cargo são uma “seca” porque não está disposto a sujeitar-se a vaias, que se demita. Assim fará um favor a ele próprio e o correto no interesse da República. O que Cavaco não pode é repetir o que fez na fuga à visita à Escola António Arroio: acobardar-se. Ou é PR e cumpre escrupulosamente as suas obrigações ou… demite-se.

De modo diferente reagiu Passos Coelho em Gouveia. Esta já é a terceira vaia que lhe toca em visitas pelo país. Ontem, em Gouveia, apesar de vaiado, cumpriu a função para que foi eleito à conta de um abastado rol de mentiras. Passos enfrentou minimamente a vaia e foi capaz de dizer mais umas quantas mentiras (Pedro e o lobo) a portugueses desesperados e, sobretudo, indignados. Com muita segurança à sua volta, compreende-se, mas não fugiu cobardemente como Cavaco. Não se limpou das malfeitorias que tem feito aos portugueses na miséria ou a caminho dela mas mostrou que tem um descaramento inaudito e que é um político dos pés à cabeça. Talvez até por isso seja tão aldrabão e saiba mentir com toda a naturalidade e descaramento.

Nódoa, mesmo nódoa, no cumprimento das suas funções, é Cavaco Silva, que, como foi revelado, já ia a caminho da Escola António Arroio e voltou para trás, para o refúgio do Palácio de Belém, por cobardia ou por não estar disposto a ouvir vaias de crianças e adolescentes estudantes que contestam com mais ou menos razão, os atropelos que o governo de Passos e ele próprio – com o seu aval – têm infligido no mundo estudantil, no Portugal de que ele se arroga bom presidente frente ao espelho. Como quem o julga é o povo… está sujeito a que não o considerem digno do cargo – por isso reagem com vaias.

Pelo que tem vindo a acontecer, nesta coisa das vaias, vamos ter em crescendo o repete-repete. Tudo se tem passado dentro dos parâmetros reconhecidamente democráticos, pacíficos. O comportamento da populaça tem sido irrepreensível, até nos insultos justificados. Daí não passou, daí não passará. Esperemos que não se verifique da parte de Cavaco e do governo de Passos a tomada de medidas radicais e antidemocráticas que produzam nas suas deslocações uma espécie de acompanhamento de uma guarda pretoriana, um quase Estado de Sítio injustificável que não permita ao povo manifestar a sua indignação e que daí não advenham violências provocadas e muito menos violência policial e tiros. É que, se bem se recordam os mais antigos, o último português a ser atingido em manifestações pacificas por balas da polícia e a ficar paraplégico, residente no Pragal, Almada, era um jovem que junto às portagens da Ponte 25 de Abril, sobre o Tejo, se manifestava indignado contra o aumento das portagens, em 1994. À data era primeiro-ministro Cavaco Silva e Dias Loureiro o ministro das polícias. Que Cavaco e Passos se lembrem e não voltem a repetir a odiosa façanha, para bem de Portugal e dos portugueses. Ameaças disso já vimos no presente quando na manifestação do dia da greve geral, junto ao Parlamento infiltraram agentes da PSP à civil nas funções de agitadores-provocadores para que a polícia tivesse um pretexto para usar a violência. Dessa ação não vimos reprovação do governo nem de Cavaco. Vimos foi o pequinissimo procurador-geral da República dizer que ia abrir um inquérito… Até hoje, sem resultados que se conheçam. O défice de democracia dos atuais detentores dos poderes em Portugal tem sido revelado por várias formas, como antes, nos dez anos dos governos de Cavaco. Na atualidade é bem patente no “custe o que custar” de Passos, nos lamentos de Cavaco quando diz que os 10 mil euros que recebe não lhe dão para as despesas, quando cobardemente foge ao povo e procura refugiar-se numa redoma de vidro. Presidente assim, se fosse mesmo bom patriota demitia-se… ou mudava radicalmente de atitudes e seria mesmo provedor do povo em vez de o afirmar sem o ser, nem ao menos revelar uma sombra de que o quer ser.

Esperemos que impere a democracia e o bom senso para que pacificamente, de vaia em vaia, estes agentes nocivos sejam penalizados e, após uma gigantesca vaia final, dêem o lugar a outros, de outra estirpe, muito melhores, verdadeiros, honestos, governando em prol da maioria dos portugueses e não das clientelas partidárias e dos lobies que os compram. Será desejar demais?

Nota do autor: Também publicado em Página Global e em Debates Culturais em tempo

quinta-feira, 5 de abril de 2012

HOMEM SEM PALAVRA... É UMA MERDA DE HOMEM!




Na realidade o título exposto é um bocadinho pesado para os que aqui vierem, mas nada demais se tomarmos em consideração que se refere a um dos maiores embusteiros políticos que Portugal conheceu até hoje: Passos Coelho.

Este pré-fabricado na juventude do PSD-Ângelo Correia (Correia, que era um lambe-botas no regime de Salazar e por isso um beneficiado) tem conseguido ludibriar os portugueses de todo o modo, tomando-os por tolos, por verdadeiros cretinos, sem o minimo de respeito pela dignidade que merecem. Curioso é que os portugueses vão consentido toda a espécie de embustes da corja governativa PSD-CDS.

Muito se poderia adjetivar sobre as sistemáticas ações terroristas da palavra daquele malfadado PM que os portugueses escolheram à falta de melhor (supostamente), por isso repelem-se, revirem-se, danem-se, atirem-se ao precipício, porque se este e o seu bando de mentirosos é o melhor que existe em Portugal para ser governo e assim votaram em conformidade... Então elegeram de entre a maior merda que existe no país. Coisas destas encontrariam em qualquer estrumeira, das imensas que existem no país.

Políticos sem palavra, que é o costume existir, são uma merda de homens!

Sem mais… porque a tensão arterial sobe e não convém.

domingo, 1 de abril de 2012

INTERESSE E DESINTERESSE SÃO CASO PARA AGRADECER




Sem ter o mínimo ensejo em ser o professor Martelo, digo, Marcelo, também Caetano por parte do Padrinho – Marcelo Caetano, PM secundarista de Salazar – vai por aí a baixo umas tantas considerações sobre o que me vem à baila.

Notem que são abordagens que fiz a acontecimentos recentemente passados e que venho retirando do Página Global, da publicação original. Daí a sua desatualidade (ou talvez não). Muitos outros faltam e vou ter de os fazer saltar para aqui, como prometi. Foi a malvada preguiça que influenciou toda esta badalheira. Ou talvez nem tenha sido. Talvez as causas se prendam com os intervenientes que dão sempre que falar pela negativa. Cavaco então é de um deslumbramento arrepiante quanto à sua representação de nulidade e prejuízo para a República Portuguesa.

A seu lado Obiang, da Guiné Equatorial, com o agravante de ser um massivo assassino. Por Cavaco e outros pares, Obiang, o ditador, bem pode integrar a CPLP e trazer os milhões do petróleo – já agora umas ações a preço de saldo - porque os valores da democracia, da liberdade, dos direitos dos trabalhadores, dos direitos humanos, quase nada contam.

Soi dizer-se, quanto mais se fala na trampa pior cheira. É melhor não arriscar e permitir que abram este sítio sem cheiros intensos e desagradáveis que vos façam ir logo embora.

Não esqueçam: Aquilo que está publicado em baixo tem ligeiro atraso na atualidade mas faz parte da coleção de quem prefere dizer não a políticos parasitas ou que para lá caminham.

Agradeço o interesse e o desinteresse por ambas serem legítimas particularidades humanas, neste caso.

Guiné Equatorial: QUEM QUER OS BANDIDOS OBIANG NA CPLP?



O governo de Passos-Portas-Cavaco que “abafa” Portugal tem demonstrado ser favorável à entrada da Guiné-Equatorial da atualidade na CPLP independentemente de ser um país submetido ao ditador Obiang e aos ditames e roubos dos amigos e restante família Obiang.

Para os detentores dos poderes da república portuguesa parece que a democracia vale zero e por tal tendem a cruzar laços estratégicos com ditadores e assassinos desde que vislumbre poder sugar desses países de povos oprimidos vantagens, supostamente a favor do país e dos países da CPLP – visto que são vários os países da CPLP que procuram pular a cerca dos seus estatutos. Estatutos que impõem como condição para a adesão de membro da lusofonia que seja um estado de direito e democrático, para além de outros requisitos. Não é o caso da Guiné Equatorial em termos de democracia e todos o sabemos. Nem de Angola em variados aspetos...

Não é de espantar a posição favorável dos que em Portugal detêm o poder porque vimos com assiduidade a sua sofisma com negócios com Angola, país que é presidido há mais de três décadas por Eduardo dos Santos sem que alguma vez fosse eleito pelos angolanos. Para não referir a verdadeira farsa que foram as últimas eleições legislativas, em que o partido de Eduardo dos Santos, MPLA, venceu com uma vantagem assombrosa ao até incluir mortos a votar e votantes a duplicar, como é do conhecimento geral. Mesmo sabendo isso, da parte de Cavaco Silva, de Paulo Portas, de Passos Coelho e de outros seus apaniguados no governo – supostos representantes eleitos pelos portugueses – eles emparelham com o ditador Dos Santos e com outros ladrões que estão abusivamente de posse do estado angolano, à semelhança da clique Obiang na Guiné Equatorial. Em Portugal é hábito dizer-se que tão ladrão é o que entra em casa alheia para roubar como aquele que, não entrando, fica à porta para vigiar (avisar se vem lá policia que os apanhe em flagrante delito). Não sendo o caso… Pode entender-se o caso.

Querem as coincidências que o filho de Obiang tenha adquirido um iate, por exemplo, à custa da morte, da miséria e da fome de imensos guiné-equatorianos (tal qual vem sendo apontada Isabel dos Santos, filha do ditador Santos de Angola). Isso mesmo é referido por Óscar Ribeiro, no Liberal, em Carta Aberta dirigida ao legítimo Presidente da República de Cabo Verde. Não confundamos, porque Eduardo dos Santos é ilegitimo no cargo aos olhos da democracia e de um verdadeiro estado de direito.

Como se tal não fosse bastante para inserir aqui a talhe de foice – cortando a direito – diz-nos também o mesmo jornal de Cabo Verde, Liberal, que a polícia francesa invadiu a mansão do bandido e filho do ilegítimo presidente bandido Obiang. Um e outro texto estão dispostos a seguir… E agora meditemos sobre as razões dos que são a favor da inclusão da Guiné Equatorial de Obiang na CPLP, e até mesmo de Angola relativamente ao ditador Santos. Significará tal postura, favorável à adesão de Obiangs, que os que assim pensam e votam favoravelmente só não fazem o mesmo nos seus países porque ainda não tiveram essa oportunidade… mas que para lá caminham ou que pelo menos envidam todos os esforços nesse sentido? Estará Portugal a ser conduzido pela tríade Passos-Portas-Cavaco nesse sentido? É que, na verdade, a democracia portuguesa tem vindo cada vez mais a ser fragilizada desde que eles cumprem o sonho tornado realidade de um presidente-uma maioria-um governo. A desculpa é a Troika e a "crise". Até pode acontecer que os bandidos Obiangs não existam só em África...

Excluamos de toda esta trama de admissão de países dominados por ditadores e seus suportes de elite, suas máfias, os respetivos países e os povos, que, se for sua vontade e depois de derrubarem os seus algozes, devem ter todo o apoio para ingressarem na CPLP desde que aquela também cumpra os seus estatutos sem se escudar no termo “países em vias de serem democráticos” – porque isso é uma manha que permite fazer de ditadores assassinos, como Obiang e outros, uns “democratas”. Termo vago se soubermos tomar em consideração que a própria democracia em Portugal já é dúbia e tem sido posta em causa pelas práticas de um presidente-uma maioria-um governo que tem vindo a usar de todas as engenharias para dar uso ao “quero posso e mando” com laivos de semelhanças ao banditismo estilo Obiang.

Passemos aos textos acima referidos:

POLÍCIA FRANCESA INVADE MANSÃO DO FILHO DO PRESIDENTE DA GUINÉ EQUATORIAL


Três líderes africanos sob suspeita

A acção policial decorre de uma investigação onde, para além da família Obiang, estão na mira o património adquirido pelo presidente Denis Sassou Nguesso, do Congo; e pelo falecido Chefe de Estado do Gabão, Omar Bongo

Praia, 15 de Fevereiro 2012 - A polícia francesa invadiu ontem, terça-feira, a mansão de Nguema Obiang (na foto), filho do presidente da Guiné Equatorial, Teodor Obiang, em Paris. A busca domiciliária ocorre no âmbito de uma investigação sobre a aquisição de activos, em França, por três chefes de Estado africanos.

Nguema não se encontrava na milionária habitação, mas tal não impediu as autoridades policiais de efectuarem a busca sob a direcção de dois juízes de instrução e conduzida por agentes de uma agência governamental de repressão a grandes crimes financeiros.

O aparato não deixou de surpreender os transeuntes da chique Avenue Foch, onde se situa a mansão de seis andares e, apesar da resistência dos locatários – que alegaram “imunidade diplomática” –, os policiais executaram o seu trabalho. Quem não ficou agradado com a invasão foi o advogado Olivier Prado, representante da Guiné Equatorial na Unesco, que alegou ser essa a sua “residência oficial”: "Este prédio pertence ao Estado da Guiné Equatorial e não ao presidente", afirmou, defendendo que a alteração de propriedade havia sido feita em Outubro passado. Um expediente utilizado por Nguema Obiang no sentido de salvar o seu património sob varejo das autoridades gaulesas. Mas nem as alegações de “violação grave dos princípios internacionais diplomáticas”, feitas pelo advogado, impediram a acção policial.

Desde 2010 que os juízes Roger Le Loir e Rene Grouman dirigem uma investigação tendente a apurar as circunstâncias suspeitas de aquisição, em França, de propriedades e mobiliário por parte de três líderes africanos. E em causa está o património de Teodor Obiang; do presidente congolês Denis Sassou Nguesso; bem como do chefe de Estado do Gabão, entretanto já falecido, Omar Bongo. Ao que se suspeita, a aquisição de avultados bens terá como origem a lavagem de capitais e o desvio de fundos públicos – nomeadamente, alguns provenientes de ajudas internacionais – para o exterior.

Já em Setembro de 2011 várias viaturas luxuosas haviam sido apreendidas, pelas autoridades francesas, à família do presidente da Guiné Equatorial. Mas, agora, os investigadores estão em cima de novas aquisições. E, de acordo com declarações recentes, os policiais estão na posse de informações que Nguema Obiang – para além de filho do presidente, ministro da Agricultura e Florestas – pretendia levar para a mansão da Avenue Foch obras de arte adquiridas durante a venda da coleção de Yves Saint Laurent e Pierre Bergé, em Fevereiro de 2009, por um total de 18,35 milhões de euros. A transacção teria sido efectuada pela “Florestal Somagui”, uma empresa registada em nome de Nguema.

Recordamos que a Guiné Equatorial manifestou o desejo de se tornar membro da CPLP, tendo já participado numa reunião da organização na qualidade de observador, provocando grande polémica em todo o mundo lusófono e concitando declarações de indignação, bem expressas no artigo do nosso colunista Óscar Ribeiro, publicado hoje. (Fonte: Jeune Afrique)

A GUINÉ EQUATORIAL E A CPLP

Liberal

Texto de Óscar Ribeiro - Carta aberta ao Sr. Presidente da República, Dr. Jorge Carlos Fonseca

Fontes fidedignas asseguram que esse jovem tirano que segue as pisadas do pai afirmou ter comprado em Agosto de 2011 um iate que custou 380 milhões de dólares (263 milhões de euros). O dinheiro despendido é quase três vezes superior ao que a Guiné Equatorial gasta na saúde e educação da sua população todos os anos

Tem sido voz corrente, especialmente nos últimos dias e com especial enfoque na comunicação social, a entrada da Guiné Equatorial como membro de pleno direito na CPLP, numa próxima Cimeira desta Organização a ter lugar num futuro não muito longínquo, a ter lugar em Moçambique.

Será que a Guiné Equatorial preenche os requisitos necessários para ganhar semelhan-te estatuto?

De recordar que os estatutos da CPLP no seu artigo 5º, alínea e, ditam:

A CPLP é regida pelos seguintes princípios:

e) Primado da Paz, da Democracia, do Estado de Direito, dos Direitos Humanos e da Justiça Social

Que razões políticas, económicas ou outras estarão na sustentação deste posiciona-mento que pretende integrar a Guiné Equatorial na CPLP?

Dados indesmentíveis mostram-nos que estamos perante um país cujo regime é dos mais corruptos, egocêntricos, autoritários, déspotas, retrógrados, sanguinários, repressivos e anti-democráticos do mundo, onde a violação dos direitos humanos fez morada.

O Presidente da República, Teodoro Obiang, governa por decreto. Não existe Parlamento.

Consegue ser equiparado a Idi Amin Dada do Uganda, Mobutu Sese Seko do Congo Kinshasa, ou para nos situarmos no momento actual, ao tenebroso Robert Mugabe, do Zimbabwé.

Já pensa e mexe os cordelinhos no sentido de deixar a sua sucessão ao filho, Ministro do seu Governo, que numa visita oficial ao nosso país ocorrida há pouco tempo, inte-grando a delegação do pai Presidente só em despesas com bebidas alcoólicas na uni-dade hoteleira onde ficara alojado, deixou pesado calote, conforme amplamente divulgado pelos media locais.

Recentemente, por ocasião do CAN, (Campeonato Africano das Nações) ainda a decor-rer, ofereceu à equipa nacional, por uma vitória na competição a módica quantia de 500 milhões de francos, equivalente a 760.000 euros. Note-se que a pasta que detém no Governo é a da agricultura e não a do desporto.

Qual a proveniência deste montante num país onde ao lado da maior opulência pas-seia a miséria mais humilhante e extrema?

Fontes fidedignas asseguram que esse jovem tirano que segue as pisadas do pai afir-mou ter comprado em Agôsto de 2011 um iate que custou 380 milhões de dólares (263 milhões de euros). O dinheiro despendido é quase três vezes superior ao que a Guiné Equatorial gasta na saúde e educação da sua população todos os anos.

Cerca de 70% da população equato-guineense vive apenas com 1,40 euros (aproxima-damente 2 dólares) por dia.

Como entender que o Sr. Obiang ocupe o 8º (oitavo) lugar no rol dos Governantes mais ricos do mundo, num país onde o PIB per capita é o maior de todo o continente africano e, entretanto, a esperança de vida seja de apenas 49 anos para os homens e 53 para as mulheres?

Como perceber que num país dessa dimensão territorial haja mais de13 palácios presidenciais, com uma média de um para cada 54.000 habitantes numa demonstração evidente e inequívoca do maior desdém e desrespeito pelas necessidades da população.

É este mesmo Presidente que na abertura da 18ª Cimeira da União Africana, teve a desfaçatez de dizer “A África não precisa de nenhuma democracia imposta pelo povo”.

Porque motivo a UNESCO recusou aceitar a atribuição do seu nome a um prémio de cariz aparentemente humanitário e propósito científico, de significativo montante pecuniário, no seu próprio país?

Porque razão determinados Estados dos USA decidiram congelar todos os bens e depósitos bancários dos principais dignitários equato-guineenses, a começar pelos dos mencionados neste documento?

Porquê aceitar um país com semelhante governo no seio da CPLP? Já não basta a cor-rupção reinante no grupo dos que já a compõem?

Há razões que a minha razão não alcança.

Bem sei que estes posicionamentos são cozinhados através de corredores, não raras vezes obscuros, nos bastidores, em alçapões esquivos e quase sempre inacessíveis ao comum de nós, cidadãos que por direito próprio integram a CPLP.

Mas, Sr. Presidente, pelo que julgo conhecer de si, presumo que não engole esta situação com agrado, ânimo leve e consciência tranquila.

Que mais valia traria esta integração para a CPLP, que não fosse a sua descredibilização?

Praia, Fevereiro de 2012

Óscar Ribeiro