quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

AI, AI, HAITI – MAS O QUE VAI SER FEITO DE TI?

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CLARO, SOMOS FILHOS DE UM DEUS MENOR!

Como se não baste a luta fratricida que tem ceifado a vida a milhares de haitianos a Mãe Natureza decidiu que seria por bem ceifar a vida de mais uns quantos, acima de uma centena de milhar. O que vai ser feito de ti Haiti?

Dizia há pouco a senhora Teresa “E ainda dizem que há Deus, se tal existisse não era ali no Haiti que a terra devia tremer mas sim nas casa dos bandidos que põem este mundo a ferro e fogo. Os povos têm lá culpas das desgraças que eles semeiam. E agora é o tal Deus que dizem que existe!”

O descrédito da senhora, acerca de Deus, estava ali bem patente. Dos quatro vizinhos que estavam a beber o seu café matinal não se ouviu nem uma palavra. Todos sabemos que não podemos contrariar a senhora, senão nunca mais dali saímos. “Temos missa e sermão cantado.” Dizemos. Provavelmente dizem ao contrário, mas gosto de trocar umas quantas coisas para obrigar-me a pensar que ainda sou do contra. Gosto. Considero que essa é a minha identidade. Estar contra o que considero estar mal. E ali está mal a senhora Teresa não acreditar em Deus. Como pode? Ela, que acredita em José Sócrates. Ela que é uma socialista de primeira hora – duas da manhã de 25 de Abril de 1974!

E não há Deus? Haver há. Deve é ter ido de férias. E foi de férias para outra parte qualquer do mundo, distante do Haiti. Deus, no Haiti, tem estado ausente. Ao contrário de certos criminosos políticos e de delito comum. Ao contrário de certos presidentes norte-americanos que acham por bem andarem a apoiar ditadores dinásticos haitianos e a derrubar outros que não lhes convém. As guerras são semeadas pelas grandes potências e/ou pelos que se lhes submetem. Possivelmente, Deus recebeu ordem da Mãe Natureza para fechar os olhos ao que ia fazer ao Haiti e aos haitianos. Um ingrato. Afinal os haitianos acreditam Nele, em Deus. Tramaram-se. Tanto quanto a senhora Teresa, rabugenta, defensora de Sócrates por nele acreditar. Coitada, afinal acredita num aldrabão. Num deus menor. Um deus ainda menor que o deus dos haitianos.

Compreendi agora o que é ser filho de um deus menor. Há muitos por esse mundo fora. Em África, na América Latina, na América do Norte, na Ásia, na Oceânia, no Médio Oriente, na Europa… Por todo o mundo. É isso, os povos são todos filhos de um deus menor. Afinal Deus, aquele que se escreve com letra grande, seja Ele de que religião for, só protege e escuta os abastados. Nem diz à Mãe Natureza para não tramar mais os desgraçados dos povos, tão explorados e oprimidos que andam. Afinal, esse Deus Grande age somente para benefício, usufruto e beneplácito de outros grandes como Ele. Para os povinhos destinaram um deus pequenino, menor. Compreendi. Por isso existe tanta injustiça. Claro, somos “filhos de um deus menor”. Credo, até nisto existem diferença e estamos sempre na mó de baixo!

Haverá os que dizem que “isto foi castigo”. Pois então, se foi castigo, este Deus Grande ou o deus menor são muito maus. Povo nenhum deste mundo e dos outros mundos merece tantos castigos. Nem merecem castigos!

Blasfémia, dirão uns quantos. Tá bem, que se lixe! Blasfemar contra um deus menor não tem importância nenhuma! O tipo está quase sem poderes. O Outro é que é de temer, Esse tem PODERES!
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1 comentário:

Laurinha disse...

Caro amigo,

Tuas palavras soaram forte na minha mente e coração de humanista e ferrenha defensora da justiça social. Como uma representante da língua e nação pátria, fora da minha terra, muito me orgulho do que escrevestes.

Abraços,