terça-feira, 19 de agosto de 2008

PENITÊNCIA DO DESMAZELO

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VAMOS NESSA!
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Alguns amigos me têm perguntado porque não dou mais atenção a este blogue, chegando mesmo a perguntar o que é que eu tenho contra ele. Nada. Nadinha.
A verdade é que a participação que tenho na Fábrica dos Blogs, no Timor Lorosae Nação e no Página Um, me roubam o tempo que considero necessário para dispensar a devida atenção a este Página Lusófona. Também é verdade que prefiro participar mais em colectivo e menos em coisas individuais.
Não que os projectos pessoais não me dêem gozo. Ao longo da minha vida aconteceu isso algumas vezes. Mas prefiro trabalhar em equipa. Facto que talvez se deva a deformação profissional.
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Trabalhar em equipa pode permitir abraçarmos projectos maiores, mais complexos, mais perfeitos e que melhor satisfaçam os que desses projectos possam usufruir. Para além disso é muito bom "trabalhar para o monte" porque nos sentimos sempre acompanhados e as próprias divergências que possam existir - há quase sempre - são uma mola impulsionadora de podermos fazer diferente e melhor.
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Aos amigos que me escrevem e solicitam que dedique mais tempo a este blogue agradeço a atenção e aqui deixo a explicação deste meu desmazelo relativamente ao Página Lusófona, disso me penitencio, esperando que compreendam as razões que aleguei.
Terei maior cuidado em não deixar passar tanto tempo sem aqui vir e postar uma prosa que até nem esteja relacionada com Timor mas sim aquilo a que alguns chamam "o nosso mundo": Portugal e as pessoas, Portugal e os políticos, Portugal e os fracassos, Portugal com as suas venturas e desventuras.
Vamos nessa!
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SÓ PARA BOA ENTENDEDORA...

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COISAS DE CABRA
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Muitos não entenderão, mas garanto que sei muito bem aquilo que estou a escrever, e também garanto que haverá quem entenda. Não creio que cabra seja tão estúpida que não se reveja.
Prazenteio-me com o facto de a Bibi Lulik ter tomado o caminho acertado ao enveredar pela vereda de estrada em que não atropela nem é atropelada.
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Não faço ideia se continua com os seus estranhos histerismos e maus feitios ridículos mas o que sei é que parece ter finalmente compreendido que as pessoas decentes exigem ser tratadas com decência e respeito, jamais com imbecilidades ou manias apelativas a deuses que ela visiona nos seus delírios cabrestos.
O desprezo resulta, principalmente com cabras. Isso mesmo, vai balir para outro lado, junto dos da tua espécie.
Haja Deus!
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PORQUE ANDARAM A “PASSEAR” O CADÁVER DE REINADO?

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FOTOGRAFIAS INDICIAM
TENTATIVA DE DESTRUIÇÃO E OCULTAÇÃO DE PROVAS

As notícias da semana passada relacionadas com Alfredo Reinado e Leopoldino Exposto trouxeram-nos constatações apuradas nas autopsias que não sendo novidade acabaram por ser e vieram reforçar a possibilidade de certas suspeições já profusamente referidas corresponderem a realidades que falta saber se serão abordadas no tardio relatório que Longuinhos Monteiro parece estar a cozinhar em lume brando para ficar mais saboroso e assim ser mais comestível, não vá o diabo tecê-las e ficar intragável para os atentos timorenses e comunidade internacional.

Demasiadas dúvidas têm sido colocadas desde 11 de Fevereiro. Uma das que tem vindo a ganhar força de razão será a de que Reinado caiu numa armadilha e foi atraído à casa de José Ramos Horta.
Pelos vistos o homem, Reinado, nem entrou na casa do Presidente da República mas somente na área exterior do jardim. Assim sendo como é que partiu portas no interior da casa, como divulgaram numa primeira versão?

Se Alfredo Reinado estava com intenções de assassinar o Presidente porque motivo não se inteirou anteriormente das suas movimentações matinais? Não será evidente que quando se quer surpreender alguém, num caso destes, inteiramo-nos dos seus passos? Inteiramo-nos dos seus hábitos?
Como seria possível que Reinado não soubesse que o PR fazia matinalmente os seus exercícios de descompressão e compensação à barriguinha que ostentava? Não seria mais fácil atentar contra a vida do Presidente nos locais isolados por onde ele passaria durante o seu crosse? Não bastaria um atirador bem colocado num dos vários locais privilegiados por onde ele passaria?
Se Reinado tivesse de facto a intenção de abater o Presidente não seria assim que actuaria?

Dirigir-se àquela hora a casa do Presidente com o propósito de assassinar ou raptar o Presidente para mim e para muitos não faz sentido. Menos fará se tomarmos em consideração os resultados comprovados e revelados pelas autópsias.

Afinal quem foi surpreendido foi Alfredo Reinado e Exposto. Só assim seria possível subjugá-los e executá-los e certamente que quem o fez tinha ordens para isso, o que significa que sabia que Alfredo Reinado poderia ir à casa do Presidente naquela manhã.
Quem deu esse tipo de ordens? Certamente que Ramos Horta não foi.
Alfredo Reinado nunca se referiu a José Ramos Horta com a contundência que o fez relativamente a Xanana Gusmão. Ramos Horta não tinha a temer que Alfredo Reinado continuasse a falar. A “incomodar”.
A quem deu “jeito” a execução de Alfredo Reinado?
Não poderá isso ser considerado móbil do crime?

Como os resultados das autópsias demonstram que nem um nem outro dos intervenientes “rebeldes” que entraram no recinto contíguo à casa do Presidente da República foram abatidos em legítima defesa que estará agora Longuinhos Monteiro a investigar?
Irá Longuinhos Monteiro tomar em consideração que para existir crime se deve procurar o móbil?
Então, tantos meses volvidos quem é que vai indiciar? Considerará que há cidadãos timorenses com o estatuto de se situarem acima de quaisquer suspeitas?

Entendidos nestas coisas de crimes já referiram por diversas vezes um facto bastante estranho, detectado através das fotografias.

- Olha, andaram a “passear” o cadáver!

Na verdade é aquilo que se conclui ao olharmos com um pouco mais de atenção para as fotografias do cadáver de Alfredo Reinado, repare-se que primeiro está junto à relva e não tem sangue à vista e posteriormente já está noutro local, afastado da relva e mais próximo à tenda situada no jardim da residência presidencial.
Primeiro não há binóculos nenhuns perto de Reinado e depois, é visível, já há. Numa fotografia tem o braço direito sobre o corpo, noutra já não, etc.
E em que mais “mexeram”?

Os entendidos referem que estes casos são característicos de comprovada tentativa de destruição e ocultação de provas, mas que até isso, com empenho, é possível provar e pode ajudar a conseguir bons resultados nas investigações e interrogatórios.
Porque andaram a “passear” o cadáver? E o de Exposto também?

Interrogatórios? Que interrogatórios? Investigações? Que investigações?
E o relatório? Qual relatório?
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É BOM QUE SE DIGA E QUE SE ESCLAREÇA
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Após a publicação deste texto no Timor Lorosae Nação comentaristas alertaram para o facto de um dos cadáveres - aquele que está junto à relva - ser de Leopoldino Exposto e não de Alfredo Reinado. O esclarecimento foi baseado em outras fotografias, algumas por mim desconhecidas e num artigo do SOL e de outras publicações.
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Na verdade o que me foi oferecido analizar permite-me concluir que estava errado ao considerar que o cadáver junto à relva era de Reinado. Não é. Pelo facto de estar errado e deste modo estar a induzir em erro os menos atentos só tenho de pedir desculpa.
Apesar dessa desatenção e imprecisão da minha parte é facto que o cadáver de Reinado foi "mexido" e já agora gostaria de poder pormenorizar com uma alálise atempada e atenta, para não falhar.
Será aquilo que irei fazer e depois voltarei a abordar o assunto.
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De qualquer modo, o meu lapso não invalida as declarações de The Australian que dão como certo que os resultados das autopsias comprovam que Reinado e Exposto foram executados com tiros na nuca e a uma distância que permitiu concluir ter sido uma execução...
"Passear" ou não os cadáveres ainda vá que não, mas com estes dados cientificos o que é que se deve pensar?
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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

QUEM COMEU UMA BIBI LULIK?

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VERDADE OU FICÇÃO?

Em Timor, nos anos sessenta, Bobonaro era uma aldeola que quase tinha mais população militar no quartel do que civis timorenses, principalmente por via do reforço da Companhia de Cavalaria ali destacada, não fosse o diabo tecê-las na Indonésia agitada e sempre com um grande apetite em relação a Timor colónia portuguesa.
Verdade seja dita que em Bobonaro, ali na fronteira, podiam destacar ainda mais mil homens que a Indonésia se quisesse anexar Timor-Leste bem podia fazê-lo. Portugal não se aguentaria com mais um teatro de guerra para além da Guiné, Angola e Moçambique. Além disso Timor é muito longe de Portugal.
Acontecia como na Índia, adeus!

Perdi-me. Não é sobre essa história que venho à letra. Neste caso a letra vem predestinada para algo de sagrado – lulik, em tétum – e envolve um katuas – velho, em tétum – um malai – soldado português – de nome Fagundes, e uma bibi – cabra, em tétum.

Tudo aconteceu quando o Fagundes, da cavalaria de Bobonaro, lhe apeteceu comer uma cabra. Se bem o pensou melhor o fez.
Vai daí roubou uma cabra do rebanho do katuas Onório, timorense risonho que adorava as suas cabras.
Fagundes pôs os olhos em cima de uma cabra nova e pelo aspecto tenra. Boa para comer e chorar por mais. Até sonhava com ela e acordava todo molhado… banhado em suor.
Tinha de se decidir, era uma questão de a pôr a nu e zás!
Que é como quem diz: esfolá-la e pô-la acomodada nas brasas do prazer imaginado por Fagundes, que já andava a reparar naquela cabra havia uns bons tempos.
“Agora é que ela está mesmo boa para comer”, dizia de si para si. “Olhem só para aquelas coxas tão apetitosas”, pensava e babava-se a imaginar a orgia gustativa que se iria atrever a fazer contra tudo e contra todos, até mesmo contra a vontade da cabra.
Seria um sacrilégio, mas aquela cabra era para ele e o katuas Onório que se danasse.

Certa manhã lá andava o Onório em desespero à procura da cabra. Entrou no quartel aflito a pedir para que o ajudassem a procurar a dita, porque éramos muitos e tínhamos kudas – cavalos - para bater todo o mato em redor o mais rápido possível, para que a cabra não se afastasse demasiado “porque certamente fugira”, dizia o katuas Onório preocupado.

Os soldados, ainda ressacados da beberragem e comezaina da noite anterior, nem sequer estavam em condições de montar um cavalete quanto mais um cavalo. Como estavam, todos combalidos, nem uma cabra seriam capazes de montar. Isso teria sido na noite anterior.
“Onório, mas porque queres tu aquela cabra?” Perguntavam-lhe.
“Onório, damos-te dinheiro e tu vais comprar outra cabra”. Iam dizendo-lhe para evitar o martírio de terem de fazer uma cavalgada em busca do animal que já tinham comido e de que só os ossos haviam escapado.
“Malai, procura bibi porque é uma bibi lulik”. Pediu Onório quase a desfazer-se em lágrimas.
“É uma bibi lulik?” Quase perguntaram em coro os soldados à volta de Onório.
“Sim, é uma bibi lulik porque tem língua meta – preta – que parece que está suja mas é nanal lulik – língua sagrada.”
“Nanal lulik?” Daquela vez é que foi mesmo em coro soldadesco.
O katuas Onório, em desespero, explicou: “Bibi lulik não serve para comer, muito menos a língua, tem morun – veneno. Quem comer a língua de uma bibi lulik fica muito mal”.
A soldadesca empalideceu.

O capitão, comandante da companhia, chegou e juntou-se ao aglomerado em volta de Onório, inteirando-se dos motivos porque o katuas Onório ali estava.
Claro que percebeu imediatamente que uma bibi lulik tinha sido desviada para as brasas do forno da companhia e que tinha dado quase uma geral.
“Quem comeu uma bibi lulik?”. Perguntou o capitão com grande vozeirão e a olhar para os seus homens com cara de poucos amigos.
“Quem comeu uma bibi lulik?”. Voltou a perguntar.
“Onório, no dia em que estes homens receberem o pré – o ordenado – vens cá e vais ter mais uma bibi lulik para te consolares.” Ordenou ao Onório e a conversa acabou ali.

Certo é que aquilo que o katuas Onório disse aconteceu: a cabra era um veneno de alto calibre, não só a língua mas toda a cabra, tendo posto cerca de dez homens com diarreia e aos vómitos durante quatro dias. Já havia os que diziam que se sentiam a morrer envenenados.
Uma bibi lulik, da diarreia e do vómito, foi o que foi.

Aconteceu, e aqui fica para a posterioridade, como conto ou lenda, verdade ou ficção.
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CERTEZAS SÓ NO FINAL DO JOGO, E MESMO ASSIM…

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RESSONÂNCIAS E DELIRIOS DE MANICÓMIO

Não é por nada, sendo por tudo, incluindo pela falta de percepção sobre o real significado de tudo e de nada ou nada e tudo. Bem, mas isso não importa. O que importa é o que seguidamente irá acontecer. Também há quem importe esquentadores e outros bens que no caso dos rigorosos invernos da Tasmânia se compreendem porque a água quente é imprescindível mas nos casos do deserto australiano torna-se incompreensível e até nocivo para a sujidade que a transpiração nos possa transmitir. Tudo isto é uma questão de higiene. De compreender ou não compreender.

Cá está. É tudo uma questão de tudo ou nada. Digo-o por nada e por tudo, se bem que seja discutível o que é o nada, assim como o que é o tudo.
Por exemplo: se tentarmos apanhar uma mosca num gesto rápido e relampejante, fechando imediatamente a mão, com o que ficamos na mão fechada? Com a mosca? Então e se não apanharmos a mosca? Com o que ficamos na mão? Com nada? Então e as bactérias são nada? Claro que são bactérias ou não são?
Ora se acontece isto com o nada de certeza que também acontece com o tudo.

É a tal coisa: existe quem diga e afirme a pés juntos isto e aquilo, se faça encher de certezas e razões mas… é como o nada e o tudo.
Não passam de delírios de quem se julga com certezas absolutas só porque deliram e passam a ser a chacota dos outros.
Querem um exemplo de delírio? Em duas palavras: BANANA SHOW!
De certeza que o personagem da foto tem duas bananas nas mãos, dirão muitos.
Mas será que só tem nas mãos as duas bananas?
Vá-se lá saber!
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